A volta da ficção científica

Chega às lojas O Túnel do Tempo, um dos melhores trabalhos do produtor Irwin Allen, o pai dos filmes de desastre

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h10

Primeiro foi Perdidos no Espaço - a série criada pelo produtor Irwin Allen, que fez muito sucesso na TV brasileira entre os anos 1960 e 80, repetiu o êxito quando lançada em DVD. Agora, o sonho de qualquer colecionador se completa com a chegada no mercado de outras produções do gênero: Viagem ao Fundo do Mar, Terra de Gigantes e, principalmente, O Túnel do Tempo, lançadas pela Visual Filmes. Um verdadeiro banquete.

Mas, ao contrário das caixas de Perdidos, não espere aqui tantos recursos, como opção do ouvir o áudio original ou uma profusão de extras - os discos contêm apenas a dublagem brasileira (aliás, excelente) sem nenhum outro agrado. O que interessa, no entanto, são as séries. Allen (1916-1991) tornou-se conhecido pelas produções de TV sem grandes preocupações científicas, apenas oferecendo diversão.

É o que explica o grande sucesso entre o público juvenil, empolgado com a viagem sem volta da família Robinson pelo espaço sideral (Perdidos), com os percalços da tripulação de um submarino (Viagem ao Fundo do Mar), o incrível encolhimento de um grupo de viajantes (Terra de Gigantes) e, de forma mais criativa, as explorações no passado e no futuro de dois pesquisadores, em Túnel do Tempo.

Essa série ficou em cartaz entre 1966 e 67 nos Estados Unidos, a mais curta duração entre as produções justamente por conta do elevado custo (durou apenas uma temporada, com 30 episódios). Narra as aventuras de dois cientistas, Doug Phillips (Robert Colbert) e Tony Newman (James Darren), que testam um novo experimento financiado pelo governo americano ainda não concluído. Isso acontece porque são pressionados por um senador que ameaça cortar verbas caso não veja resultado imediato.

O primeiro episódio, aliás, concentra-se nesse impasse: a fim de evitar o fim dos recursos, Newman se aventura na máquina e acaba viajando no tempo até 1912, no transatlântico Titanic, na manhã anterior ao naufrágio. A fim de salvar o colega, Phillips vai em seu encalço e, para evitar que os dois morram na tragédia, a equipe que ficou no presente (aliás, 1968), os transferem para outra época, perdendo totalmente o controle sobre seus destinos.

"O Túnel do Tempo é o produto da indústria cultural dos EUA que maior e mais duradoura influência exerceu sobre o imaginário coletivo nacional no que se refere à formação das concepções de Tempo, História e Ciência e cujo impacto ainda hoje pode ser descrito e analisado", observa Dennison de Oliveira, coordenador do livro Túnel do Tempo: Um Estudo de História & Audiovisual, publicado pela Juruá Editora, interessante compêndio de ensaios sobre a série.

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