A virulência do amor

É da eterna disputa de poder dentro dos relacionamentos conjugais que trata Nada de Dois - Seis Duelos Verbais. A peça, que entra em cartaz hoje no Sesc Consolação, debruça-se sobre os conflitos de um casal, seguindo desde o momento em que se conhecem até o reencontro, após a separação. Ainda que exaustivamente explorado pela dramaturgia, o tema dos desencontros amorosos aparece aqui em chave particular: sem espaço para laivos de romantismo, o texto do português Pedro Mexia está centrado nos diálogos ácidos e virulentos dos protagonistas Vasco (Messias Carvalho) e Joana (Mirela Pizani).

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2010 | 00h00

O tom de disputa entre gêneros é acentuado pela direção de Freed Mesquita, ator que se arrisca como encenador, depois de passar pelo CPT, de Antunes Filho. Em sua proposta, ele divide homens e mulheres em plateias opostas, como se a sublinhar uma "guerra dos sexos". "A peça fala da incomunicabilidade por meio de duas leituras distintas. Eles são polaridades que não se encontram. E a divisão das plateias só reforça essa rivalidade."

Trata-se da primeira encenação de Nada de Dois. Escrita em 2009, a peça marcou a estreia de Mexia, crítico literário do jornal O Público, de Lisboa, como dramaturgo e permanece inédita mesmo em Portugal. Aqui, a montagem optou por selecionar apenas três de suas seis cenas para serem apresentadas. A cada nova sessão, caberá ao espectador, por meio de um sorteio, escolher o que será visto.

NADA DE DOIS - SEIS DUELOS VERBAIS

Sesc Consolação.

Espaço Beta. R. Dr. Vila Nova, 245, 3234-3000. 2ª e 3ª, 21h.

R$ 10. Até 9/11.

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