''A violência revela a verdade do mundo''

ENTREVISTA

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Philip Ridley, dramaturgo britânico

Suas peças trabalham com a violência, assim como as obras do escritor J. G. Ballard e do diretor David Cronenberg.

Você está certo, especialmente em relação a Ballard. Ele me influenciou enormemente quando estudei na escola de arte. As imagens despertadas em seus romances são incríveis. Sempre me inspirei em artistas que têm uma visão muito particular do mundo. Aqueles que criam seu mundo particular, como Ballard e Tennessee Williams, outra forte influência. Fico feliz que você tenha citado um escritor e um cineasta, pois minhas influências não se resumem ao teatro, mas também à pintura (Francis Bacon e De Chirico, por exemplo) e à música (Shostakovich).

Qual a função da violência em seu trabalho?

A de revelar a verdade sobre o mundo em que vivemos.

Você se vê como um autor político?

Toda arte, por sua natureza, é política. A arte enfatiza a imaginação individual e sua liberdade de ação. O que nos faz questionar e sonhar. E sentir. Tudo isso são atos políticos. A primeira medida de um regime totalitário é tentar censurar as artes. É o caso de Síria, Rússia, Irã, China e outros. Acredito que Disney Killer seja um peça muito política. Cosmo é apaixonado por dinheiro e consumo. Ele representa a sociedade capitalista: disposto a fazer qualquer coisa repugnante desde que ganhe com isso. E ainda abusa e humilha seu comparsa, Pitchfork, no processo.

O mundo mudou muito depois dos atentados de 11 de setembro?

Sim, pois evidenciou a desonestidade e a hipocrisia dos políticos. Veja a guerra ilegal no Iraque e as mentiras de (George W.) Bush e (Tony) Blair. Surgiu uma nova ordem mundial do medo.

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