Divulgação GTO/RJ
Divulgação GTO/RJ

A violência de hoje nos remete à ditadura do passado?

Essa será a reflexão do Grupo do Teatro do Oprimido na Bienal de Artes de SP em três apresentações

Carolina Spillari, do Estadão.com.br,

18 de novembro de 2010 | 17h50

Quem for à Bienal de Artes de São Paulo no domingo (21), na terça-feira (23) ou na quinta-feira (25) poderá participar no espaço  Terreiro O outro, o mesmo da apresentação da peça Torquemada, texto de Augusto Boal. A encenação utiliza o método do Teatro do Oprimido, que alia dramaturgia e política e já existe em 70 países. 

 

 

Veja também:

link O blog da Bienal de SP

 

O texto é um relato de Boal a respeito das sessões de tortura a que ele foi submetido no presídio Tiradentes, em São Paulo, no ano de 1971. Boal foi integrante do Teatro de Arena, grupo que revolucionou a estética teatral no Brasil após ter estudado com John Gasner na Columbia University. Veja a biografia completa do dramaturgo brasileiro.

 

Nesta 29ª edição da Bienal das Artes em São Paulo, Torquemada mostra a violência nos dias atuais. "A tortura está aí acontecendo na periferia, com as milícias", reflete Kelly di Bertolli, diretora do espetáculo e curinga do Centro de Teatro do Oprimido de SP (CTO), citando o filme Tropa de Elite, do diretor José Padilha.

 

Na montagem atual, as "curingas" relacionam o inquisidor da Idade Média Torquemada com as ações da polícia atual. "A impunidade dos torturadores em 1971 está ligada a grande violência policial hoje em dia. Enquanto não forem punidos isso continuará acontecendo", diz a diretora se referindo aos casos ocorridos na ditadura ainda não esclarecidos e parte dos arquivos que continuam sob sigilo. A outra "curinga" do espetáculo é Yara Toscano, também produtora.

 

Os curingas são técnicos especializados em Teatro do Oprimido. Podem facilitar o aprendizado em uma oficina, criar um espetáculo com as técnicas que compõem o método, dar um palestra ou fazer qualquer coisa ligada a metodologia, explica a coordenadora do CTO-RJ, Helen Sarapeck.

 

Método. A metodologia do Teatro do Oprimido não é dirigida para os atores profissionais, mas principalmente para quem não é ator. "O objetivo do método é usar o teatro como um meio de transformação social", esclarece Helen Sarapeck do Grupo no Rio, referência no mundo inteiro em termos da técnica.

 

Na apresentação, a plateia é convidada a se expressar e participar do espetáculo trazendo os problemas do dia a dia e os conflitos presentes nas relações de dominação. "Trabalhamos dentro das comunidades, dos hospitais psiquiátricos, com professores e alunos um teatro que é instrumento de transformação", acrescenta Helen. Dentre 70 países, segundo a coordenadora do CTO-RJ, mais de 12 mil utilizam a metodologia na Índia, além de todas as províncias de Moçambique, Paquistão, Sudão, territórios palestinos, África, Europa e Estados Unidos. Leia sobre o programa de intercâmbio cultural .

 

Teatro Invisível. O CTO-SP ainda vai homenagear o autor levando intervenções do Teatro Invisível aos terreiros, mostrando cenas feitas por Augusto Boal.

 

SERVIÇO

 

Torquemada pelo CTO-SP na 29ª Bienal de São Paulo

 

Quando: Domingo, 21, e terça-feira, 23, às 16h30 e quinta-feira, 25, às 20h

Onde: Terreiro O Outro, O Mesmo (térreo) no pavilhão da Bienal (Avenida Pedro Álvares Cabral, sem número - Portão 3 - Parque Ibirapuera)

Quanto: entrada franca

Mais informações: (11) 5576-7600

 

 

Ficha técnica

Direção: Kelly Azeredo Dias

Produção: Yara Toscano

Grupo de Teatro do Oprimido: Carol Dias, Daniela Garcia, Marcelo Secco, Max Mu, Pedro Carignato, Rodrigo Caldeira, Rosemeire de Almeida.

Grupos convidados: Hangar de Elefantes - Mariana Aguiar, Veni Toledo, Érika Forlin, Victor Fonseca, Ulisses Silveira, Rodrigo Caldeira; Ponto Educandário de Cultura - Paulo Barros, André Mandrião e Renan Silva

Artistas convidados: Gabriela Reis,Tássia Camões e Carmo Medeiros

Direção Corporal: Vitor Seixas

Fotógrafos: Mário Coelho e Beraldo Leal

 

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