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A vingança dos nerds invade 'Monstros'

Prequel da animação de 2011 ganha nova dimensão e é precedida por curta notável sobre guarda-chuvas

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2013 | 02h17

Se você é do tipo que ainda acha que animação é coisa de criança é porque não tem visto as incursões da Pixar pelo gênero que já foi chamado de 'oitava arte'. Na verdade, Bruno Bettelheim escreveu um livro psicanalisando os contos de fadas, provando que há mais complexidade nas histórias de Cinderela e Branca de Neve do que você talvez esteja disposto a admitir. E os clássicos de Walt Disney, então - Branca de Neve e Bambi tratam de perdas e criam universos assustadores (a floresta assombrada no primeiro e em chamas no segundo) até para adultos. De volta ao princípio - não hesite em arranjar uma criança, se necessário, para servir de álibi para ver Universidade Monstros. As crianças não precisam de álibi nenhum, e vão adorar.

Back to 2001 - de volta a 2001, um ano mítico do cinema, o da odisseia no espaço de Stanley Kubrick (mas o filme, propriamente dito, é de 1968). Há 12 anos, Peter Docter criou, na Pixar, um desenho que imediatamente virou cult. Monsters Inc. no original, Monstros S.A., no Brasil, passa-se em Monstrópolis, cidade energizada pelos gritos de medo das crianças. Foi lá que surgiram dois personagens emblemáticos, Mike e Sully, uma forma mais carinhosa de designar Sullivan.

Uma criatura verde e esquisita de um olho só, e um grandalhão peludo que seria parecido com o Chewbacca da série Star Wars - se não fosse completamente azul. Os dois estão de volta, mas o filme agora dirigido por Dan Scanlon constrói-se na contramão de Monstros S.A. Em vez de uma sequência, Scanlon propõe uma prequel - e mostra como tudo começou. No filme anterior, o próprio funcionamento da fábrica de monstros - a S.A. - era ameaçado quando entrava em cena uma garotinha Boo, que não apenas resistia à capacidade das criaturas sinistras de provocar medo como se revelava tóxica e, portanto, perigosa para eles.

Em Universidade Monstros, Boo ainda nem é nascida e Mike, disposto a realizar seu sonho, se inscreve na universidade do título, para se tornar o mais assustador dentre eles. De cara, entra em choque com Sully, que vem de uma autêntica família de monstros e tem no sangue o DNA para assustar. As circunstâncias fazem com que eles precisem se unir, para evitar a expulsão da universidade.

No press book de Universidade Monstros, com o material distribuído à imprensa, o diretor Scanlon define o trabalho como o seu tributo aos filmes de fraternidades estudantis, que deram a tônica do cinema de Hollywood nos anos 1980. Universidade Monstros é a versão animada e atualizada de A Vingança dos Nerds. Mike é o nerd por excelência. Sabe tudo sobre o ato de assustar, exceto ser assustador. Quando Sully e ele quase são expulsos, a solução é tentar ganhar os jogos da universidade, mas Mike não tem equipe - ninguém quer ser seu sócio - e a solução é se unir aos... bonzinhos da turma. Hein, os bonzinhos?

Ao mesmo tempo em que é divertido, e dinâmico - com a personagem da reitora que não dá mole aos alunos -, Universidade Monstros trata de temas como desenvolvimento da autoconfiança na adolescência, um período em que o jovem nunca está seguro de nada, e também a superação dos limites e a segunda chance, temas que sempre calam fundo em autores/diretores de procedência norte-americana. No original, Mike e Sully seguem falando com as vozes de Billy Crystal e John Goodman. Na versão brasileira, a voz mais chamativa é a de Michel Teló, mas sua participação é mínima - na fugaz cena em que, em fuga, os nerds monstros passam por uma banda. O vocalista é o homem do Ai Se Eu te Pego.

Falando sério, por melhor que seja a diversão proporcionada por Universidade Monstros - para adultos e crianças -, há outro motivo que torna a sessão imperdível. Como toda animação da Pixar, o longa é precedido por um curta, e se trata de uma pequena (na duração) obra-prima. O Guarda-Chuva Azul tem direção de Saschka Unseld e, como o título indica, conta a história do guarda-chuva do título que, num dia de chuva, é atraído por uma sombrinha cor-de-rosa. Como, em meio a uma multidão que segue seu rumo programado, o guarda-chuva azul vai conseguir se aproximar da sombrinha e realizar seu amor? Desenvolvido com grande apuro estético e técnico, trata da questão dos gêneros (masculino/feminino). É como se Saschka tivesse feito o Antes da Meia-Noite, de Richard Linklater, da animação.

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