"A Vida Passa" estréia no Rio

A peça A Vida Passa, de Miguel Falabella, que estréia nesta quinta-feira no Teatro Vanucci (com ensaios abertos desde o dia 3), é um reencontro de oito amigas. Quatro são reais, as atrizes Arlete Salles, Suzana Vieira, Natália do Vale e Thereza Piffer. As outras são as irmãs Maria Lúcia, Regina, Selma e Laura, personagens do espetáculo A Partilha, vividas pelas atrizes durante seis anos, a partir de 1990, num dos maiores sucessos teatrais da década."Estava com saudade e resolvi contar como estava a vida delas dez anos depois", diz Falabella, que também dirige o espetáculo. Se na primeira vez a ação era concentrada no momento em que as irmãs voltavam ao apartamento da mãe morta para repartir o que havia dentro dele, agora há quatro grandes cenas, como atos independentes, em que cada uma delas se mostra para as outras. "Não há preocupação em uma brilhar mais do que a outra, porque teatro é como música, é preciso saber ouvir e afinar."Sem estrelismo, as quatro atrizes estão adorando reencontrar-se - discutem os problemas das personagens como se fossem de pessoas reais. Natália e Suzana, por exemplo, conversam longamente sobre o casamento que Selma (personagem de Natália) vive há 20 anos, enquanto admitem que os 10 anos não passaram para Maria Lúcia (encarnada por Suzana) porque ela sempre "foi bicona e carismática", como explica a atriz que a interpreta.Thereza Piffer também se envolve com a vida pessoal de Laura, sua personagem. "Ela mudou para melhor, está grávida por inseminação artificial e se assumiu sexualmente, vivendo com outra mulher na Alemanha", conta Thereza. "Em A Partilha, a Laura era a mais reprimida das quatro irmãs e agora é ela quem traz mais vida ao encontro."Já Arlete Salles fala em rever Maria Lúcia, uma velha amiga. "Ela mudou, como eu também, mas a nossa essência continua a mesma, pois buscamos não naufragar nessa aventura que é a vida", diz Arlete. Ela diz que nunca havia sequer remontado um espetáculo nem ficado tanto tempo em cartaz com a mesma peça. "Cada dia eu encontrava uma emoção nova para vivê-la e, quando deixei a produção, fiquei com ciúme vê-la na pele de outra atriz."Esse é um assunto delicado para o elenco, especialmente porque Falabella vendeu os direitos da peça para Daniel Filho que pensa em outras atrizes para viver as quatro irmãs no filme que pretende fazer. "Eu já não gostei de outra montagem de A Partilha, com um elenco diferente, e fiquei muito brava quando soube que não estava no filme", protesta Suzana Vieira. "Essas personagens são nossas, fomos nós que as criamos."Falabella explica que o filme não é projeto seu e conta do prazer que foi trabalhar, desde o início, com essas atrizes. "Em 1989, Arlete, Thereza, Natália e eu fazíamos a novela O Outro, na TV Globo e nos encontrávamos sempre com a Suzana, nossa amiga de muitos anos", lembra ele. "O bom de A Partilha é que só temos lembranças boas, foi um daqueles momentos em que tudo deu certo."O diretor e autor não está preocupado em repetir o sucesso. "Tive muitos outros depois disso", avisa. E, embora continue trabalhando como nunca, reduziu o número de projetos com os quais se envolve. Até o fim do ano, ele será o travesti Molina, na montagem de O Beijo da Mulher Aranha, que estreará no Rio. Para o ano que vem, está preparando um espetáculo sobre Carmem Miranda. Somente não está pensando mais na novela que propôs à Globo. Por enquanto está engavetada, apesar do sucesso de Salsa e Merengue, que ele escreveu para a emissora em 1996.Para montar A Vida Passa, Miguel está bancando a produção, embora não dispense um patrocínio. Mas não corre atrás dele. "Se for conveniente para uma empresa me financiar, eu aceito com muito prazer, mas se não pintar, faço eu mesmo", diz ele. "Afinal, tenho vivido muito bem de teatro estes anos todos."

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