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A vida normal de um astro boy

Aos 7, era campeão de caratê, aos 9 decidiu ser ator; hoje, aos 19, já é uma das grandes promessas de Hollywood

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h09

ENTREVISTA

 

Taylor Lautner, ator

 

Taylor Lautner tem só 19 anos, mas já tem o privilégio de poder dizer que "tem duas vidas". Uma 'normal' e outra 'de cinema': "Preciso só balancear as duas".

A primeira é a do garoto descendente de europeus e índios americanos (o sangue Ottawa e Potawatom definitivamente contribuiu para que ele fosse o 'lobisomem' Jacob Black na Saga Crepúsculo) que cresceu em Michigan praticando esportes, começou a praticar caratê aos 6 anos e, aos 7, já vencia torneios. Mas, para 'atrapalhar' sua carreira esportiva, aos nove descobriu o teatro e sua vocação para ator. Hoje, o faixa-preta e campeão mundial está sendo talhado para se tornar o novo campeão de bilheteria do cinemão hollywoodiano.

É difícil 'virar o botão' do 'cara normal' para o astro jovem de Hollywood? Lautner garante que não. "Quando filmo, passo meses no set, depois lanço o filme, vejo os fãs e tudo mais, é muito bom. Voltar para casa e encontrar minha vida como sempre foi é ótimo também. Ter uma 'vida normal' é necessário."

Diante da trama de seu novo filme, Sem Saída, no qual interpreta um jovem que vive uma vida, mas que, no fundo, não é a sua, a frase poderia até soar falsa não fosse Taylor Lautner tão espontâneo. Ou quase. Taylor parece ser daquele tipo de jovem despreocupado, tão interessado em se divertir praticando esportes quanto atuando em produções milionárias como A Saga Crepúsculo e Sem Saída.

Ele pode até ser 'easy going', mas o séquito que o acompanhava em sua maratona de entrevistas para divulgar, na Cidade do México, o novo filme parecia ter calculado milimetricamente cada passo seu. Não foi por acaso que ele foi escolhido para ser Nathan, o garoto que, ao encontrar sua foto em um site de crianças perdidas, descobre que há uma complexa rede de espionagem cercando sua infância e seu futuro. "Mais que a ação, o que adoro na história é o mistério. É tentar descobrir o que vem depois a cada cena."

Produzido pela Lionsgate e dirigido por John Singleton (Os Donos da Rua, Velozes e Furiosos 2) o filme traz ainda Lily Collins como Karen, seu par romântico nesta trama que tem ares de "Jason Bourne para teenagers", além de Alfred Molina, Maria Bello e Sigourney Weaver.

Tendo em mente que corre em Hollywood o boato de que ele está sendo talhado para ser o 'mais novo Tom Cruise', é de se compreender que seja preciso cuidar muito bem de sua promissora carreira. Sobre suas escolhas, novos desafios no cinema e sobre projetos futuros, Lautner conversou com o Estado.

Você já disse que este foi seu projeto mais difícil. Inclusive porque fez quase todas as cenas de ação.

Verdade. Foi muito desafiador. E foi exatamente por isso que me atraí por esse projeto. Porque seria desafiador tanto emocional quanto fisicamente. Claro que a primeira preocupação era entender as emoções de Nathan, mas a preparação física do personagem teve tanto peso quanto. Afinal, não era só questão de fazer o que ele faz na tela, mas também 'parecer estar sabendo fazer muito bem'. Era preciso ter segurança.

E esta segurança você conseguiu com muito treino?

Sim. A preparação para este longa começou três meses antes do início das filmagens e continuou durante todo o processo. Foram seis meses de treino pesado. Comecei a ter aulas de boxe, mas é algo que leva tempo para se ficar realmente bom nisso. E aprender a pilotar uma moto também foi superdifícil. Já tinha brincado com motos, mas nunca com uma como aquela, imensa, veloz... E o Nathan é ótimo naquilo tudo. Imagina, eu realmente precisei aprender muito.

Foi um processo semelhante ao da Saga Crepúsculo, que o 'obrigou' a crescer fisicamente muito rápido?

É um pouco diferente. Em Crepúsculo, eu precisava estar em uma determinada forma e tamanho que sugeriam que eu 'parecesse um lobo'. Já este foi um treino que, em vez de me fazer parecer algo me fez ser capaz de fazer algo. Na verdade, em Crepúsculo, toda vez que a ação começava de fato, eu virava um lobo, o dublê entrava em ação e eu era deixado de lado. Neste, não, eu estive em tudo mesmo.

'Estar em tudo', ser protagonista também traz nova responsabilidade. Sua carreira solo começa de fato.

Totalmente. Ao mesmo tempo que começo a 'ser o Taylor Lautner', sei que jamais teria feito o que fiz sem muita ajuda, do diretor, do elenco, da equipe. Não poderia estar ao lado de profissionais tão incríveis.

Mas você já sente o peso de ter um fã clube? Há meninas lá fora esperando por você. De ter sua carreira comparada com a de nomes como Tom Cruise, Di Caprio, Matt Damon?

Claro que sim. Mas sei que não estaria aqui hoje conversando com você se não fosse pelos meus fãs, se não fosse por Crepúsculo, que nos deu a chance de decidir o que queríamos para nossas vidas. Até mesmo se queríamos ter a carreira de astros de Hollywood.

E você quer?

O que sei é que quero fazer cinema cada vez mais. Atuar é o que gosto de fazer. Sem Saída, por exemplo, para mim, é o perfeito mix. Tem ação, thriller, romance, drama... E é este tipo de filme que quero fazer. Como espectador, o tipo de filme que gosto de ver é o que me conte uma ótima história de um grande protagonista, mas que também me 'tire da cadeira', que tenha ação.

Você já pensou em que gênero quer se concentrar mais? Ação?

Não só. Quero poder, como já falamos, filmes como Sem Saída, que têm um bom mix de gêneros, que é para todos. Mas quero continuar me desafiando a fazer novos filmes, gêneros, papéis...

Diferente como, por exemplo, filmar com Gus Van Sant. Há boatos de que você estará em seu novo filme.

Não há nada certo ainda. Claro que adoro seu cinema e que seria uma honra filmar com ele. Mas garanto que não há nada fechado por ora. Há alguns roteiros que estou analisando, mas é cedo para contar. Depois de Sem Saída, vou entrar na maratona de lançamento de Amanhecer, Parte 1 (quem sabe até ir ao Brasil). Depois disso, vou decidir.

Você só tem 19 anos e já tem de analisar tantos projetos, pensar na carreira, lidar com fãs, ter duas vidas. Como está escolhendo seus novos filmes?

É menos planejado do que parece. Quando a gente lê uma boa história, a decisão de fazer ou não fazer é muito mais instintiva que racional. É como se eu sentisse "preciso contar esta história". É exatamente como me senti sobre este filme. E sei que isso vai continuar acontecendo. 

SEM SAÍDA

Título original: Abduction.

Direção: John Singleton. Gênero: Ação (EUA/ 2011, 106 minutos). Censura: 14 anos.

 

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