"A Vida como Ela É" volta ao palco no Rio

Em 1991, quando não se pensava muito em Nelson Rodrigues, o Núcleo Carioca de Teatro estreou o espetáculo A Vida como Ela É, dramatização das crônicas e contos que o escritor publicou por mais de uma década no extinto jornal Última Hora. Foi um sucesso que durou mais de dois anos, viajou todo o País e que agora volta ao Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, a convite da prefeitura da cidade."A montagem é praticamente a mesma daquela época, respeitando integralmente o texto rodriguiano", comenta o diretor Luiz Arthur Nunes. "Acho que agora, que ele ficou mais popular, o público vai apreciar ainda mais seu humor trágico." Nunes é especializado em Nelson Rodrigues, já dirigiu 20 espetáculos dele (entre textos para teatro e prosa dramatizada) e acha que nunca é demais revisitá-lo, mesmo levando em conta que A Vida como Ela É foi adaptada pela Rede Globo, em esquetes exibidos no Fantástico e em pelo menos dois filmes, Gêmeas e Traição."Nelson é inesgotável, nunca cansa o público", comenta, entusiasmado. "Dizer que há montagens em excesso é o mesmo que reclamar de os franceses fazerem muito Molière ou de os ingleses insistirem em montar as tragédias e comédias de Shakespeare. Eu mesmo, já dirigi Vestido de Noiva, com Malu Mader, e A Mulher sem Pecado, com José de Abreu, e ainda tenho muito a dizer com a obra dele."Do espetáculo de 1991, ficaram cinco dos oito atores originais, que funcionam também como narradores, pois no lugar de dramatizar as cenas, ele contam a história e vivem seus personagens, usando tanto teatro de sombras ou se comportando como bonecos manipulados. "O interessante é que o público não tem preferência por uma ou outra cena, mas gosta do espetáculo como um todo, se emociona e ri da forma como as histórias são contadas", lembra.Nunes conta também que a montagem é a mesma. Só teve pequenas adaptações por causa do tamanho do Teatro Carlos Gomes, com quase 2 mil lugares. "Mas é uma sala aconchegante e o elenco está mais maduro, tem outras emoções e entende o texto de uma forma mais profunda. Isso melhora a peça."Atualmente, Nunes trabalha também na montagem de Arlequim, Servidor de dois Amos, de Carlo Goldoni, cuja montagem do Piccolo Teatro de Milão chega ao Rio no fim de semana e, em São Paulo, na semana que vem. "Creio que essa ´concorrência´ até ajuda porque desperta a curiosidade do público", adianta. "Já vi essa montagem na Europa e a nossa tem outra vertente, mas o personagem é universal. Quem for assistir em italiano, vai querer saber como é a peça em português."

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