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A utopia silenciosa da arte na paralela 2010

Mostra das galerias de São Paulo apresenta obras inéditas de seus artistas

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

Desde 2004, as principais galerias paulistanas se reúnem para fazer uma mostra especial com seus artistas para coincidir com o período da Bienal de São Paulo - tanto que a exposição tem como título Paralela. Na edição que é inaugurada hoje para o público nos galpões do Liceu de Artes e Ofícios, estão reunidas obras (maioria, inéditas) de 82 criadores selecionados pelo curador Paulo Reis. Sob o título A Contemplação do Mundo, a Paralela 2010 dá bastante espaço para a produção jovem (muitos deles, curiosamente, só fazendo pintura) - "no elenco, interessava-me mostrar novos artistas", diz Reis - e ainda abertura para um olhar em que prevalece o silêncio.

Paulo Reis, que atualmente é diretor do centro cultural Carpe Diem em Lisboa (Portugal) e co-editor da revista Dardo Magazine, acredita, por sua formação humanista, como diz, que é por meio de arte, de cultura, que "a juventude constroi um novo mundo". Tanto que um de seus pedidos quando convidado a fazer a curadoria da mostra foi de que não houvesse separação entre os galpões do Liceu e as salas de aula dos alunos que frequentam a instituição. A exclusão de fronteira entre a arte e o mundo está, assim, no cerne de seu projeto, que coloca obras já recebendo o público desde o lado externo dos galpões: a pintora Regina Parra instalou no teto da fachada do local letreiro que começa dizendo "Nada de mau se perdeu/nada de bom foi em vão...", citação à obra do cineasta russo Andrei Tarkovski; e Daniel Acosta criou a escultura Estação de Desintoxicação Urbana, um "espaço de convivência", para ser usado pelos visitantes.

Poético. De uma forma direta, é o signo da utopia que vai levando toda a exposição. "A arte foi das ciências sociais a menos abalada porque esteve sempre ligada à ética", defende Paulo Reis. A artista Sandra Cinto, que começou há alguns anos a fazer obras relacionadas aos mares e águas com barquinhos de papel, encerra esse ciclo na Paralela com uma impactante instalação que remete à proa de um barco ao ser formada por uma plataforma de toras de madeira, vidros com desenhos em preto, livros e cordas - um convite à deriva. Dialogando com esta obra está uma referência ao processo lento de transformações em A Rocky Mist, de Thiago Rocha Pitta, em que vidros com sal vão se cristalizando aos poucos e formando uma paisagem. É, este, o espaço que fala do sublime.

O tom mais rebaixado e poético continua depois nos núcleos seguintes da mostra pelos galpões do Liceu, incluindo ainda outros pontos como a referência à história da arte como base para os artistas; a questão da "economia da forma"; equilíbrio e desequilíbrio; o contraste opulência/decadência - há leveza no conjunto, o que não quer dizer que artistas falam de tantas questões nos interstícios de suas criações, como a obra Menos Uma, de Milton Marques, é direta e singela sobre o armamento ilegal . "Não queria discurso sociológico estreito", afirma Paulo Reis.

REALIZADORES

Casa Triângulo

Gabinete Raquel Arnaud

Galeria Baró

Galeria Fortes Vilaça

Galeria Leme

Galeria Luciana Brito

Galeria Luisa Strina

Galeria Marilia Razuk

Galeria Millan

Galeria Nara Roesler

Galeria Oscar Cruz

Galeria Vermelho

Galeria Virgilio

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