A TV me deve um grande papel, diz Débora Duarte

Débora Duarte tem 53 anos de idade, quase 50 de TV e mais de 30 novelas e minisséries no currículo. Mesmo assim, quando terminar de gravar Canavial de Paixões, novela produzida pelo SBT com elenco nacional e texto mexicano, está desempregada. E, apesar de tanta experiência, considera-se sub-aproveitada pela televisão. "O meu status na TV não corresponde ao tamanho do meu prestígio e da minha popularidade", diz ela. Em sua melhor forma, Débora não está preocupada. Pela primeira vez, termina um contrato com planos. Entre eles, o de subir ao palco com a filha Paloma Duarte em março e, o mais importante, produzir e apresentar um programa vespertino para falar de gente, de romantismo e de felicidade. Leia entrevista.Você vai fazer 50 anos de TV e deve ser uma das atrizes com maior currículo em novelas. Você não se sente incomodada de trabalhar em uma trama mexicana?Débora Duarte ? Não me incomoda. Não tenho pudor no meu trabalho, gosto de fazer novelão assumido. É o que eu tenho para o momento. O que me incomoda é que este campo não esteja aberto para nossos autores brasileiros. Qual é a diferença entre trabalhar no SBT e na Globo?No ambiente da TV existem climas mais tensos e competitivos ou mais acolhedores. O SBT é maravilhoso: o clima, as pessoas. Sou muito bem tratada.Quais foram seus bons papéis?Foi Angelina na minissérie Anarquistas Graças a Deus. Já fui protagonista na novela Corpo a Corpo, do Gilberto Braga. Em Coração Alado fiz um triângulo com Tarcísio Meira e Vera Fischer. Wilminha de Pecado Capital, que a Paloma fez na segunda versão da novela. O que a TV deve a você?Estou meio cansada de ser atriz "pronto-socorro", aquela que é chamada quando não tem ninguém. Acho que mereço receber uma grande personagem, à altura do meu talento. O meu status na TV não corresponde ao tamanho do meu prestígio e da minha popularidade. Quais são seus planos para depois do Canavial?Estou desempregada depois do dia 15, mas pela primeira vez na minha vida termino um contrato com planos. Há seis meses trabalho no projeto de um programa diário, às tardes, em que eu possa conversar com as pessoas, ajudá-las a refletir. Um programa popular que misture auto-ajuda, psicologia, espiritualidade, que levante a auto-estima do espectador. Poderá até ter receita culinária, mas será um pretexto para dar risada, falar de coisas loucas, de sexualidade. Se não tiver problemas de direitos autorais, gostaria que se chamasse Como Vai Você? (título de uma canção de Antônio Marcos, com quem Débora foi casada). Em março, eu e a Paloma estreamos uma peça com a direção de Amir Haddad, produzida com minha outra filha, Daniela. Elizabeth Savalla diz que depois de uma certa idade só restam bruxas e más para as atrizes, você concorda?Ela se esqueceu das tias e das boas amigas das protagonistas. O mais encantador na nossa profissão é que a gente pode trabalhar até morrer.

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