A tristeza do The National em versão amplificada

O The National foi da fossa à euforia de arena em um show que soube usar as vantagens intimistas do Citibank Hall, nesta terça-feira à noite, para envolver o público em seus lamentos. Liderado pelo barítono de Matt Berninger, o grupo nova-iorquino atacou de cara com uma de suas mais tristes, Runaway, canção sobre o vaivém de um relacionamento que não se resolve. Foi um baque inesperado para um início de show, mas era primeiro passo da estratégia do The National: reconstruir ao vivo a sutil melancolia que permeia High Violet, disco que elevou o status da banda a um patamar entre o cult e o mainstream no ano passado. High Violet é um discaço, feito com timbres escuros e uma dinâmica difícil de ser traduzida para o palco. Ao mesmo tempo em que destila mágoas, sua instrumentação se manifesta em alto e bom som, equilíbrio que demorou para ser encontrado. Quando aconteceu, lá pela quinta música, Bloodbuzz Ohio, as guitarras dos gêmeos Bryce e Aaron Dressner passaram a preencher os espaços que sobravam na cozinha do baterista Bryan Devendorf e seu irmão, o baixista Scott. Com trombone, trompete e órgão na retaguarda, criou-se um mar de texturas aconchegantes para apoiar Berninger. O motor estava lubrificado, mas só quando o National tirou do bolso seus hits menos recentes, foi que o show tomou rumo. Estes, como Abel, que abre o igualmente bom Alligator, refletem momentos mais otimistas. Chegam próximos até de um hino de arena com Apartment Story, cuja melodia é curiosamente semelhante a Because You Loved Me, de Celine Dion, e tirou o público da introspecção por alguns momentos. Mas a grande sacada veio no final, quando a banda cantou Vanderlyle com amplificadores e microfones desligados, um lembrete de que a delicadeza está entre seus trunfos.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2011 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.