A trajetória criativa de um pintor viajante

Diplomata e artista, Sergio Telles tem sua obra e biografia apresentadas em ampla edição

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

O carioca Sergio Telles sempre conciliou em sua vida a carreira de diplomata com a de artista plástico. Por viver tanto tempo fora do Brasil, como define o poeta e crítico Ferreira Gullar, "sua obra de pintor não se tornou tão conhecida dos brasileiros quanto o merecia". Mas com o lançamento do livro Sergio Telles - Caminhos da Cor (G. Ermakoff Casa Editorial) essa lacuna pode ser preenchida, já que a alentada edição contempla com fôlego a biografia e trajetória artística do diplomata, desde o primeiro óleo pintado na tampa de uma caixa de sabonete, em 1945, até suas criações atuais.

Sergio Telles se aposentou das funções do Itamaraty em 2006. Participou, assim, ele próprio, do processo de edição do livro, que reúne farto material iconográfico, fotografias e dados, além de ensaios assinados por Ferreira Gullar, Carlos Souliê F. do Amaral, George Ermakoff, Alexei Bueno. Há ainda o poema A Festa no Mangue, que o poeta Carlos Drummond de Andrade criou em 1978 dedicado a série de Telles.

Países. É uma obra figurativa a do artista. Casarios, interiores de casa, naturezas-mortas, retratos e vistas de cidades são os temas de óleos, desenhos e aquarelas que por ora têm a leveza de uma quase abstração, por outra, a densidade de cores e traços fortes. Curioso, ainda, que as criações do artista revelam tantos lugares diversos do mundo - tanto assim que no livro as obras estão divididas por países, indo do Brasil e passando por Equador, EUA, França, Rússia, Indonésia, Líbano, Tunísia e Japão, entre tantas outras localidades.

Exaltação. "De nada adianta observar e aspirar com seriedade à pintura de Sergio Telles sem levar em conta que se trata de uma pintura culta, imantada de saberes aprendidos e apreendidos não apenas nos registros de sua terra, que permaneceram fundamentais, mas também nos registros da história da cultura de várias partes do globo. Além e mais do que isso, Sergio Telles se volta para a apreensão da vida do acontecimento existencial pulsante e latejante nos lugares que lhe despertaram o ímpeto de pintar", escreve o crítico Souliê do Amaral.

Já nas palavras de Gullar, a obra de Telles é "exaltação à pintura porque nos leva para um mundo que só existe nos quadros": "Tessitura de cores e matéria, de tons e meios tons, que vibram como sons que nos estimulam o olfato, que engendram sabores imaginários, enfim, essa tessitura de sensações e significações, de matéria percebida ou sonhada, envolvendo a simbólica geral do corpo e do espírito."

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