João Dumas/Divulgação
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A teia e as verdades que vêm de Minas

Dois filmes de Marília Rocha em cartaz, mais um terceiro premiado em Brasília, afirmam um conceito

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Criada em 2001, a empresa mineira Teia chega ao seu décimo aniversário. Uma década prodigiosa que está culminando com o lançamento simultâneo de dois longas realizados por uma de suas integrantes, Marília Rocha - Acácio e A Falta Que Me Faz -, e com o Candango de melhor filme atribuído a O Céu Sobre Seus Ombros, de Sérgio Borges, no recente Festival de Brasília. A Teia associou-se a outra empresa mineira, a Companhia do Filme, para a difícil tarefa de colocar os filmes no mercado.

Não são blockbusters, mas filmes autorais, baseados em outra estratégia de distribuição. Acácio e A Falta Que Me Faz já estão em São Paulo, Salvador e Porto Alegre. No começo do ano, serão lançados em DVD e também vão integrar o circuito voltado aos cineclubes, cerca de 800, espalhados pelo País.

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Uma estratégia ou um cinema de resistência - e, para a produção, a Teia tem recebido apoios em Minas, claro, mas não pode sobreviver só de fundos regionais. A projeção nacional e internacional - Acácio participou do Doc TV de Lisboa e do Festival de Roterdã - ajuda nas parcerias.

Marília Rocha conta que a Teia surgiu de forma muito informal. "Somos um grupo de amigos. Havíamos saído da faculdade, cada um tentava seu caminho. Começamos compartilhando um espaço." Hoje, os seis realizadores que compõem o grupo - mais os que se agregaram, produtores e técnicos -, compartilham equipamentos e até projetos, mas a essência não mudou. "Seguimos com nossos projetos individuais. Não somos exatamente um coletivo. Permanecemos um grupo."

No início, a fama dos "mineiros" era de serem ligados à videoarte (através de Éder Santos), fazendo um cinema muito plástico e até experimental. "Mais do que a linguagem, era, ou é, a expressão autoral que nos move", corrige Marília. Seus longas são todos documentários, mas ela não pensa no cinema nesses termos, como divisão entre ficção e documentário. Os filmes e seus procedimentos nascem de forma orgânica, em função dos personagens ou das situações que lhe interessam. Essa mesma preocupação anima O Céu Sobre Seus Ombros, que parte da história e da personalidade de três pessoas - um transexual, um operador de telemarketing e hare krishna e um escritor -, criando situações ficcionais para que atuem num contexto semelhante ou não com suas vidas. Na Teia, os limites entre ficção e documentário podem ser tênues, mas não interessa aos autores, sejam Marília ou Borges, defini-los com clareza para o espectador.

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