'A Separação' explora as relações humanas no Irã

Depois de levar o Urso de Ouro de melhor filme, no ano passado, em Berlim, e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro neste ano, o longa iraniano "A Separação" desponta como um dos favoritos ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em cerimônia que será realizada em fevereiro. O título, dirigido por Asghar Farhadi, estreia hoje e traz uma dramática história sobre um casal que quer se separar, mas não consegue por causa das rigorosas leis do país.

AE, Agência Estado

20 de janeiro de 2012 | 11h02

Após ganhar notoriedade com esses dois importantes prêmios, o governo iraniano deu declarações de que é preciso "olhar esses festivais com discernimento". Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, os organizadores desses festivais dão "prêmios valiosos a filmes cujo tema central é a pobreza e as dificuldades de um povo". "Isso não deveria fazer nossos artistas ignorarem os pontos positivos e as evidentes características de nossa nação a fim de ilustrar o tipo de coisa bem recebida pelos organizadores de tais festivais", completou o porta-voz.

No enredo, Simin (interpretada por Leila Hatami) quer se separar de Nader (Peyman Moadi) para ir morar no exterior junto com a filha Termeh (Sarina Farhadi). Mas a mulher precisa que o marido autorize a viagem da filha. Além disso, uma mulher só pode viajar sozinha se for solteira. O marido aceita o divórcio, mas se recusa a permitir que filha viaje. Sem acordo, Simin continua casada, mas vai para a casa da mãe. Nader até cogita a possibilidade de se mudar com a mulher e a filha para o exterior, mas não naquele momento. Ele tem de ficar no país para cuidar do pai que sofre de Alzheimer.

Com a saída da mulher de casa, Nader contrata uma governanta para cuidar do pai. Sem nenhuma experiência, Razieh (Sareh Bayat), que é uma muçulmana muito devota, não conta para o marido que está trabalhando na casa de um homem recém-separado para cuidar de outro homem, mesmo que este seja um velho doente.

Com essa premissa, o diretor desenvolve uma trama que envolverá toda a família de Nader e a da nova empregada. Para piorar, a governanta só aceita o emprego para ajudar o marido, afundado em dívidas, e tem uma filha pequena que leva junto ao trabalho.

Ao encontrar o pai doente caído dentro de casa, Nader demite a empregada, que se recusa a sair de sua casa sem antes receber o pagamento. Ao ser empurrada para fora, Razieh cai da escada e vai parar no hospital, alegando que sofreu um aborto. Mas ninguém sabia que ela estava grávida. Para o marido dela, no entanto, o mais grave não foi o aborto e, sim, ela trabalhar na casa de um homem separado. Boa parte do filme se desenvolve em uma salinha improvisada dentro do fórum onde funciona um tribunal.

Para o público ocidental, pode ser difícil lidar com essa diferença de valores. Naquela cultura, para o homem, é mais importante que sua mulher não tenha contato com outro homem do que ser agredida. Mesmo quando o motivo seja trabalhar para auxiliar um ente familiar endividado. Vale destacar como o diretor encaminha a história e cria diversas tramas e subtramas a partir de um detalhe que parece absolutamente simples para nós, ocidentais: uma separação. O resultado são ótimas atuações, um enredo realmente surpreendente e uma história que prende a atenção do espectador do início ao fim. As informações são do Jornal da Tarde.

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