A sensual Marlene Dietrich

Marlene Dietrich (1901-1992) foi um dos maiores mitos sexuais do cinema e teve uma vida marcada pelo perfeccionismo, ousadia e por amores de ambos os sexos. Uma combinação, ficção e realidade, que se misturou intimamente a ponto de, muitas vezes, não se definir a fronteira entre ambas. Foi a trajetória dessa mulher que inspirou a atriz Sylvia Bandeira a encomendar um texto para o dramaturgo Aimar Labaki. O resultado é Marlene Dietrich - As Pernas do Século, que estreia hoje no Teatro Nair Bello, com direção de William Pereira.

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h09

"É uma vida plena, com seus altos e baixos", comenta Sylvia que, no palco, vive a atriz alemã já no final da vida. Diante de um rapaz (José Mauro Brant) que não tem a menor ideia de quem ela foi, Marlene continua exercitando seu poder de sedução - se não conta mais com o frescor da juventude nem com as lendárias pernas, a atriz utiliza, então, o charme, a inteligência e o poder da memória para relembrar como seu rosto, pernas e voz entraram para o imaginário de gerações.

"Tentei absorver ao máximo todos os detalhes da persona, da alma da Marlene, mas imprimi evidentemente algumas coisas minhas", conta Sylvia, que recria a famosa intérprete do filme O Anjo Azul em todas suas fases. O mito, aliás, nasceu a partir desse longa, rodado em 1929 pelo austríaco Josef von Sternberg e que esculpiu sua imagem enigmática e fria.

A parceria duraria alguns anos até Marlene atuar pela primeira vez em uma comédia falada, Tentação Irresistível (1936), produzida pelo mestre do gênero, Ernst Lubitsch. Nesse mesmo ano, ela recebeu insistentes convites de Joseph Goebbels, ministro da Educação e Propaganda do 3.º Reich, para retornar à Alemanha e se tornar a estrela de Hitler. Marlene, porém, recusou e, para a irritação germânica, tornou-se cidadã americana em 1939.

"A forma como ela se posicionou contra o nazismo, cantando para os soldados, e se despindo da diva para ser apenas uma mulher que pudesse trazer um pouco de conforto àqueles homens durante a 2.ª Guerra Mundial é um dos momentos que mais me encantam na peça", observa Sylvia, que também trabalhou seus tons graves nas canções.

La Dietrich imortalizou diversas músicas, mas a que ganhou mais fama foi Lili Marlene, que se tornou obrigatória em suas apresentações até o fim da vida. A atriz interrompeu seu trabalho como atriz nos anos de 1943 e 44 para participar dos shows para entreter as tropas americanas no front na África e na Europa, além de trabalhar em hospitais.

Terminada a guerra, Marlene voltou ao cinema e participou de uma série de obras-primas, como A Mundana (1947) e Testemunha de Acusação (1957), ambos de Billy Wilder, e A Marca da Maldade (1958), de Orson Welles. Sua única decepção foi ter sido acusada de traidora em Berlim, sua cidade natal, por ter colaborado com os americanos.

"Para mim, sua grande virtude foi a forma como sempre se reinventou, sem medo de chocar, seguindo os seus próprios códigos", fala Sylvia. "Defeito? Eu diria que foi o fato dela se enclausurar durante 15 anos da vida, mas isso pode ser visto como uma forma de autopreservação e não defeito." Ela se refere ao fato de Marlene decidir viver reclusa em seu apartamento em Paris, em 1976, até seus últimos dias.

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