A senhora trilha de 'Soul Kitchen'

Trilhas sonoras de filmes já não são meras coadjuvantes. Impossível dissociar os rebolados de John Travolta dos trinados dos irmãos Gibb em Os Embalos de Sábado A Noite. E a cena inicial de Faça A Coisa Certa, de Spike Lee, com Rosie Perez dançando ao som de Public Enemy? Ou então tente separar a música dos roteiros mirabolantes de Tarantino.

, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2010 | 00h00

As canções de um filme podem sobreviver além da telona. E é justamente esse o caso da trilha de Soul Kitchen, produção turco-alemã em cartaz. Não é que o filme seja ruim, longe disso, mas nesse caso a trilha surge como uma personagem da trama e não uma moldura para o roteiro.

Para contar a história do azarado Zinos - dono de um restaurante pé sujo que passa por uma série de episódios errantes como driblar as sabotagens de um corretor que tenta a todo custo comprar o estabelecimento, administrar um relacionamento à distância, além de aturar um irmão presidiário em regime semi-aberto - o diretor Fatih Akin selecionou uma trilha que combina com a crueza do cenário no qual os personagens convivem.

Nessa verdadeira salada sonora, há espaço para os funks poderosos de mestres como Kool & The Gang e Quincy Jones (com vocais do comediante Bill Cosby), e nomes menos conhecidos como Dyke & The Blazers. Sem falar no sublime e inusitado encontro de Louis Armstrong e Leon Thomas com uma versão de The Creator Has A Masterplan, clássico de John Coltrane, e o resgate da voz de Ruth Brown com o blues I Don''t Know, destaques na programação da Rádio Eldorado FM, 92,9.

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