Divulgação
Divulgação

A saudosa experiência de filmar com James Gandolfini

Julia Louis-Dreyfus relembra os momentos que passou ao lado do astro de 'Os Sopranos', que morreu em junho

Pedro Caiado / Londres, Especial para O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2013 | 02h13

Em À Procura do Amor, filme que estreou na sexta-feira, James Gandolfini quebra corações e não cabeças. O ator que ganhou fama de público e crítica interpretando um violento, porem vulnerável mafioso, na série de TV de maior sucesso da HBO, Os Sopranos, deixou um filme que provavelmente irá mudar sua famosa imagem de maldoso.

Em À Procura do Amor, Gandolfini estrela ao lado da atriz Julia Louis-Dreyfus em uma comédia romântica que mostra o lado afável do ator americano falecido em junho. O filme é da diretora nova-iorquina Nicole Holofcener, que traz às telas um estilo semelhante ao de Woody Allen e Robert Altman. "Gosto de escrever o que gosto na realidade e sou sortuda por poder fazer isso. Quero fazer filmes da maneira como a vida é", disse a diretora de 53 anos, em entrevista ao Estado durante o Festival de Cinema de Londres. "Gosto de fazer filmes com enormes elencos, com a família inteira, mas neste tive que focar em uma só pessoa", completou.

Em À Procura do Amor, Gandolfini representa um homem honesto e descomplicado, um papel que leva o público a conhecer, talvez, um lado que representa mais a realidade do ator americano que ficou marcado pela agressividade de Tony Soprano.

"Ele era muito gentil e o personagem desse filme é bem próximo do que ele era na realidade. Apesar de ser grande fisicamente, era muito doce e até auto depreciativo às vezes. James era incerto em suas atitudes, o que o tornava ainda mais amável. Era fácil se apaixonar por ele", confessa Julia Louis-Dreyfus em entrevista em Londres. "James era o oposto do que era em Os Sopranos", complementou a diretora. "Ele era muito protecionista e muito ciente das pessoas ao seu redor, era sensível a quem estava presente. Um homem bom", disse a atriz de 52 anos, eternamente famosa pela série de TV Seinfeld.

No filme, Julia interpreta uma mãe divorciada, Eva, que, ao encontrar Albert (Gandolfini) em uma festa, se vê instantaneamente atraída por ele, mesmo que o homem seja totalmente o oposto do que geralmente gosta. Durante o longa, há uma ótima química entre o personagem de Gandolfini e Julia, como a cena do primeiro encontro entre os dois, que capta a cumplicidade e a conexão típica do início um forte relacionamento.

"Ensaiamos um pouco, mas trabalhamos bastante as cenas no dia das filmagens. Quando olho para trás, percebo que mantivemos distância no início e começamos a nos conhecer melhor ao longo das filmagens, enquanto nossos personagens também se conheciam. E foi assim que deu certo. Em algumas das cenas mais íntimas, conversávamos bastante sobre a jornada emocional que cada um deles enfrentava e isso ajudou muito", disse a atriz. "Esse longa foi bem rápido de filmar."

"Julia acrescentou muito à história, eu seria louca de não ouvi-la", disse Nicole. "Ela é tão inteligente e trouxe emoções que são tão acessíveis ao público. E o mais importante: não me pareceu ser chata de nenhuma maneira desde o início. E eu procuro isso, especialmente em uma atriz que estará na maioria das cenas", afirmou a diretora, bem humorada.

"Quando contei que o papel de Albert seria de Gandolfini, Julia não acreditou", lembrou Nicole, ressaltando a diferença de tamanho dos atores. Sobre a escalação, ela explicou: "Acho que o Gandolfini queria fugir do tipo de papel que o marcou. Nós nem conversamos muito sobre esse personagem na realidade; conversamos mesmo enquanto filmávamos", comentou. "Gandolfini e a Julia eram bem diferentes. Ele era bem mais lento e com um humor diferente do dela", completou a diretora. "Os dois improvisaram muito e inventaram os diálogos mais engraçados do filme."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.