A retomada do riso na produção nacional

Com o aumento da oferta de títulos, o público que sempre valorizou a boa comédia brasileira voltou

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

Se a Retomada do Cinema Brasileiro - quando, nos anos 90, o cinema nacional retomou sua produção após a extinção da Embrafilme na Era Collor - já é assunto que virou história, afirmar que a comédia brasileira retoma seu lugar herdado das chanchadas é também outra herança histórica. "O público em todo o mundo prefere as comédias. O brasileiro também valoriza a boa comédia brasileira. Sempre foi assim. A produção voltou a ter seu fluxo e qualidade. O espectador voltou", comenta LG Tubaldini Jr., um dos produtores de Qualquer Gato. "Eu e Pedro Rovai, coprodutor do Gato, temos casos de sucesso com comédia no teatro. Estava na hora de investir no cinema."

Cadu, da Globo Filmes, concorda. Das dez maiores bilheterias do cinema nacional da Retomada, cinco são comédias. Todas com apoio da Globo Filmes. "O formato tem tudo a ver com a nossa identidade. Normalmente, conta com elenco de estrelas ligados à TV Globo. O gênero é também popular por natureza e dialoga com o público. Então, cai como uma luva ao nosso modelo de marketing e divulgação de massa na TV aberta", explica o diretor da Globo Filmes. "Nossa participação vai desde a coprodução até o lançamento, em que entramos com geração de mídia."

Vale lembrar que, segundo pesquisa encomendada pela Globo Filmes entre 2005 e 2006, o público prefere a comédia. "E esse público tem em geral até 25 anos."

Desse público jovem o produtor Augusto Casé entende. É de sua Dueto a única comédia entre as 30 maiores bilheterias da Retomada que não teve apoio da Globo Filmes: Muita Calma Nessa Hora. "É um gênero que quero investir cada vez mais. Muita Calma chegou de mansinho no começo do ano e acabou levando 1,4 milhão de pessoas aos cinemas." Casé é também coprodutor de Cilada.com, já com a Globo Filmes como parceira. Estrelado por Bruno Mazzeo, já fez mais de 2,8 milhões de espectadores e está há cinco semanas em cartaz. "Esse número vai crescer. E olha que estamos competindo com anões azuis, bruxos, super-heróis... Nosso filme só tem "gente humana"", brinca o produtor, que se prepara para rodar E Aí, Comeu? e vê na comédia a chave para, em um futuro próximo, o cinema nacional poder chegar a ocupar os 50% das salas nacionais. "Este ano deve fechar em 15% de ocupação nacional, ante 85% internacional. Nosso recorde foi 22% em 2003", comenta Cadu. "Temos muito que crescer em números de salas. O México, bem menor que o Brasil, tem mais salas. Nós temos pouco mais de 2 mil. O mercado exibidor também tende a crescer. Ainda mais com a ascensão da classe C, que cada vez mais quer ir ao cinema", diz Tubaldini.

Para conquistar e manter esse mercado, a aposta está no profissionalismo e no "giro de produção". "Quanto mais produção para abastecer esse mercado com qualidade, melhor para todos. O resultado que colhemos é fruto da profissionalização do setor. Agora, é manter e crescer."

Geórgia Costa Araújo, da Coração da Selva, coprodutora de Onde Está a Felicidade?, concorda. "Cada vez mais novos talentos produzem boas comédias. Nós, da Coração, não queremos investir "em um gênero", mas sim em uma forma muito particular de fazer nossos filmes. E desta vez, foi na comédia."

A julgar pelos novos títulos que estão por vir, como Cócegas e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (da Gullane Filmes) e Totalmente Inocentes (produção de Mariza Leão e Iafa Britz), entre outros, rir no cinema vai continuar sendo um ótimo negócio.

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