Paul Kolnik/Divulgação
Paul Kolnik/Divulgação

A rainha verdadeira do lago dos cisnes

Sara Mearns vai dançar em NY o tema que no cinema foi de Natalie Portman

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2011 | 00h00

A verdadeira rainha do Lago dos Cisnes (Swan Lake) do New York City Ballet (NYCB) subirá ao palco na noite de gala na abertura da temporada no dia 11. Sara Mearns, considerada a melhor bailarina desta geração pelos críticos do New York Times, realizará o sonho de milhares de meninas ao redor do mundo e dançará no Lincoln Center, em Nova York, o Cisne Negro (Black Swan), que é o tema e nome do novo filme estrelado por Natalie Portman.

Uma das favoritas para o Oscar deste ano, a atriz nascida em Israel radicada nos Estados Unidos representa a personagem Nina, que também integraria o NYCB e, assim como Sara Mearns, é escolhida para dançar o Cisne Negro na noite de abertura da temporada. Este papel pode ser considerado o auge da carreira de uma bailarina. "O Lago dos Cisnes é o meu balé favorito desde que tenho 10 anos. Fui a rainha outras vezes no NYCB, mas este ano será especial porque estarei na noite de abertura, que é a mais importante. De todas as bailarinas principais, fui a escolhida", disse Sara Mearns em entrevista ao Estado.

Nascida na Carolina do Sul, Sara Mearns começou no balé aos 5 anos. A partir dos 12, passava todos os verões na prestigiada School of American Ballet, em Nova York. Aos 16, transferiu-se de vez para a cidade. Um ano mais tarde, virou aprendiz do NYCB e, posteriormente, entrou para o corpo de bailarinas. Aos 19 anos, foi rainha do Swan em uma das apresentações. Depois, passou para o patamar seguinte, de solista. O apogeu é quando se tornam bailarinos principais.

 

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Veja trechos do filme O Cisne Negro 

Sara Mearns virou aos 22 anos. Não há concurso ou formalidade para a escolha de uma bailarina principal. "No meu caso, foi durante uma apresentação de La Sonnambula. Eu estava em um péssimo dia. No intervalo, o diretor (Peter Martins) chegou, sorriu e me deu a notícia. Eu não conseguia acreditar", relembra a bailarina, hoje com 25 anos. As vagas para bailarina principal são raríssimas, já que elas costumam deixar o posto apenas ao redor dos 40 anos e, até hoje, nunca um dançarino desse patamar foi afastado do NYCB, a não ser por contusão. São 11 homens e 11 mulheres.

Como em todas as outras carreiras, existe competição. Mas não há assédio sexual, drogas e sabotagem como mostra o filme protagonizado por Natalie Portman, de acordo com Sara Mearns. "Os bailarinos mais antigos podem não ser amigáveis no começo, mas tampouco são maldosos. Ciúme existe, claro. Eu mesmo sinto. Mas isso nos leva apenas a treinar mais e a nos esforçarmos para melhorar'', explica ela.

Convite. A bailarina acrescenta que, nos dias de hoje, os bailarinos não são mais estrelas, como no passado. "Não mais temos um (Mikhail) Baryshnikov, um (Rudolf) Nureyev. Houve avanços nas técnicas, mas eles eram artisticamente superiores. Além disso, hoje o balé tem muita concorrência", diz Sara Mearns, que confessa o desejo de dançar no Brasil e aguarda apenas um convite para ir a São Paulo ou ao Rio de Janeiro. "Tem tanto dinheiro no Brasil. Poderiam fazer um convite", afirma. Ela também elogiou o bailarino brasileiro Marcelo Gomes, do American Ballet Theater.

Ao comentar o filme estrelado por Portman, Sara Mearns diz haver um lado positivo e outro negativo - "O bom foi que todos os ingressos para O Lago dos Cisnes foram vendidos. Mas achei uma pena não ter mais cenas de balé."

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