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'A Próxima Vítima' sofreria restrições hoje, avalia autor

Com adultério em família e tiros na abertura, novela de Silvio de Abreu de 1995 volta ao ar pelo canal Viva amanhã

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2013 | 02h18

Marcelo (José Wilker) é casado com a ricaça Francesca Ferreto (Tereza Rachel), mas se permite ser seduzido pela bela sobrinha dela, Isadora (Cláudia Ohana), com direito a cenas tórridas sobre a mesa da cozinha da mansão. Isto é novela das 8. Ou melhor, era. E hoje não passaria nem pelo crivo das 9 - horário para o qual o folhetim acabou retardado de uma década para cá. Se fosse produzida hoje, A Próxima Vítima talvez não tivesse nem aquela abertura que, ao som de Rita Lee, ia mirando personagens pelo alvo de uma arma e assassinando um a um, com tiros sinalizados por áudio.

A boa notícia é que a novela original de Silvio de Abreu, tal como foi exibida em 1995, voltará ao ar amanhã, no canal Viva, de segunda a sexta-feira, às 16h15, com reprise à 1h45.

"Não sei se a abertura bateria na trave, mas alguma reclamação iria ter", diz o autor ao Estado. "Mesmo na novela das 8, com a Classificação Indicativa, basta que alguns reclamem de alguma coisa para que impliquem, e é impossível agradar todo mundo. Mas o público também está mais conservador", reconhece. "Acho a abertura muito criativa, bastante forte, avisando que haverá uma sucessão de violência."

O autor menciona ainda o peso das cenas entre Ohana e Wilker, que também tinha uma segunda família, na Mooca, formada por Susana Vieira e três filhos. Um deles era Sandrinho (André Gonçalves), lembra? O protagonista do primeiro romance entre meninos em novela. Para desafiar o preconceito, Silvio fez de seu par um garoto negro, Jeferson (Lui Mendes).

E a família de Jeferson foi a primeira representante da classe média negra em novela. Antes só feitos motoristas e domésticas, os negros finalmente ocupavam posições profissionais inéditas no gênero.

Suspense. Outra dificuldade em fazer A Próxima Vítima hoje está na internet. Na época, para driblar as revistas que tentavam antecipar o suspense da história e saber quem poderia morrer ou matar, o autor criava versões falsas de capítulos. Agora, com tantos sites dedicados ao tema, isso seria inviável.

A cena final foi feita duas horas antes de ir ao ar, para manter o suspense, e foi a única na história da telenovela a merecer a gravação de um desfecho diferente em Portugal.

Se você não se lembra ou não sabe quem era o serial killer, relaxe e aproveite. Até o autor se esqueceu do que escreveu. "Assisto Rainha da Sucata (também sua, em reprise no canal Viva) todo dia e me surpreendo todo dia", diverte-se.

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