À prova de tendências

Estilistas antecipam peças de suas novas coleções e fazem suas apostas para driblar a crise

Maria Rita Alonso e Sandra Bittencourt, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2015 | 08h44

Por trás de um vestido, pode haver várias histórias. O estilista Alexandre Herchcovitch, que abre a temporada de moda hoje, em um desfile marcado para às 17 horas, no saguão da Prefeitura Municipal, conta que sua nova coleção é sobre amor e perda, perversão, sexo e poder. O fato de ter escolhido basicamente cores clássicas e básicas como o preto e o off white também diz muito sobre o momento. Em tempos de crise econômica, o consumidor, claro, fica mais seletivo e prefere investir em peças à prova de tendências, consideradas de longa duração. Com as vendas fracas no comércio de moda puxando para baixo os números do varejo de maneira geral, o desafio do setor e da elite da moda nacional hoje é não se deixar abater – coisa que, naturalmente, não está sendo fácil.

 

Na temporada de inverno 2016, que comemora 20 anos da SPFW, marcas de peso desistiram de participar. Estão fora do evento TNG, Cavalera, 2nd Floor, Isabela Capeto, Paula Raia, Acquastudio e Sacada. “Estava me preparando desde o começo do ano para esse desfile. Viajei pela Ásia e Europa em busca de matérias-primas. Mas, em função do aumento do dólar, tive de cancelar tudo porque ficaria inviável financeiramente”, diz Alberto Hiar, dono da Cavalera. “Isso tirou minha criatividade. É muito difícil fazer um desfile em um país com essa desgovernança e sem nenhuma política estabelecida, que ofereça condição de planejar uma coleção.”

 

Em compensação, a semana terá duas novas marcas, Ratier e Coven. Além de contar com um desfile especial da estilista Lethicia Bronstein, que assina uma coleção para a Riachuelo. “A moda tem como princípio mudar e se renovar o tempo todo. Só nas últimas edições entraram 10 novas marcas. É natural que, em um momento como esse, algumas decidam não se apresentar”, diz Paulo Borges, diretor criativo da SPFW. “Enxerguei o convite da SPFW como uma oportunidade. Por isso, resolvi investir”, diz o estilista Renato Ratier, que estreia na sexta-feira (23), último dia do evento.

 

Além do entra e sai das grifes, a novidade do evento é a volta ao Prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera – as última edições foram em pavilhões armados no Parque Cândido Portinari. Alguns estilistas, no entanto, preferiram buscar lugares alternativos, fora da Bienal, para suas apresentações. Patricia Vieira, famosa por sua moda em couro, desfila na Centro Universitário Belas Artes, por exemplo. Galerias de arte e estúdios fotográficos também servirão de locação para as passarelas. “Nós já fizemos desfiles no Minhocão, na Avenida Paulista, no Rio Tietê. Levamos a moda até a cidade e ajudamos a construir uma cultura de moda no País”, lembra Borges.

Para antecipar um pouco do que se verá nas passarelas, convidamos cinco marcas que apresentam aqui looks que serão desfilados nos próximos dias.

 

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