Bill Auth/Reuters-10/8/2008
Bill Auth/Reuters-10/8/2008

A primeira vez do Stone Temple Pilots no Brasil

Grupo ficou 6 anos sem tocar junto e faz sua estreiano País hoje, após lançar disco novo e com todos os integrantes da formação original

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

Na categoria hard rock, o prêmio Grammy saiu com uma lista curiosa na semana passada: Ozzy Osbourne, Alice in Chains, Soundgarden, Them Crooked Vultures e Stone Temple Pilots. Todos heróis do passado do rock (os Vultures têm até um vértice do Led Zeppelin).

Um desses grupos vive uma ressurreição glamourosa. É o Stone Temple Pilots, que faz seu primeiro show no País hoje, no Via Funchal (amanhã toca no Rio). O grupo desembarca com sua formação original: Scott Weiland (vocais), os irmãos Robert DeLeo (baixo e vocais) e Dean DeLeo (guitarra) e Eric Kretz (bateria).

O Stone Temple Pilots teve uma carreira gloriosa em seus primeiros 13 anos de existência. Colocou 15 músicas no Top Ten das paradas americanas (6 delas no primeiro lugar). Vendeu cerca de 35 milhões de álbuns pelo mundo. Ganhou um Grammy em 1994, dois American Music Awards, um Billboard Music Award, dois Billboard Video Awards, e um MTV Video Music Award.

 

 

 

Veja também:

linkDestaques da noite do Stone Temple Pilots

link'Primeira separação do grupo foi ato coletivo'   

 

 

O Stone Temple Pilots surgiu no início dos anos 1990, em Los Angeles, com o furacão grunge, fazendo furor com uma mistura de hard rock, pop, punk, glam e derivações. Uma banda alternativa ganhava os estádios, as arenas, e isso causou admiração (apesar de serem acusados de copiar grupos como Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, com os quais hoje reparte as glórias do reconhecimento).

Em 1994, o grupo ganhou um Grammy e até a virada do século já havia vendido cerca de 40 milhões de discos. Aí, em 2001, por causa do caminho de excessos de Scott Weiland, entrou em hibernação (Scott já veio ao Brasil, e cantou com sua banda de então, o supergrupo Velvet Revolver, em 2007, no Morumbi). Foi em 2003 que Weiland juntou-se ao Velvet Revolver.

Essa história também coincide com o inferno pessoal de Weiland. O cantor não conseguia largar a heroína e era um caso grave de dependência. Também passou a frequentar a crônica policial: sua mulher destruiu um quarto de hotel em Burbank, e foram indiciados. Em maio de 2003, um juiz ordenou a internação do cantor à revelia dele, para tratá-lo. Nessa época, o contrato para fazer o disco Contraband, do Velvet, já estava assinado e sua gravação teve de ser adiada indefinidamente.

Com uma permissão da Justiça, Weiland conseguia escapulir da clínica de desintoxicação para gravar de vez em quando. O guitarrista Slash e Duffy McKagan, os novos parceiros, demonstravam paciência com o novo parceiro. "Todos já estivemos alguma vez nesse ponto extremo", comentou McKagan. Finalmente, saiu Contraband, com Weiland já em forma de novo. "O disco é uma representação das melhores coisas da música do Stone Temple Pilots com as melhores do Guns" N Roses, quando estavam em seus momentos de glória", disse Weiland à revista Rolling Stone. "É o casamento perfeito entre as duas bandas."

Essa lua de mel não duraria muito, entretanto. No mês passado, explicando os motivos de ter largado mais uma banda, Weiland disse: "Todo mundo era rock star no Velvet. Havia ciumeira demais. Então as viúvas começaram a se meter com os negócios do grupo, e foi o começo do fim. Quando o Velvet Revolver começou, foi muito legal. Todos tínhamos passado por experiências semelhantes, e a gente se sentia como numa gangue", brincou.

Em 2008, após aceitar os termos do retorno, o STP voltou a excursionar com a formação clássica e em maio lançou material novo, sob o título simples de Stone Temple Pilots. "Nós todos nos tornamos pais, ficamos mais maduros e aprendemos como simplificar as coisas. Não há muitas bandas em nossa época com todos os membros originais e há uma química nesse grupo após tantos anos. Sabemos como escrever canções um com o outro e esse é o principal fator que nos permitiu gravar esse disco", disse o baixista Robert Deleo.

Scott continua um cantor extraordinário, a banda soa igualmente consistente e em forma, mas o disco não pareceu soar muito diferente dessa enxurrada de bandas de punk pop, como Bowling for Soup, McFly, Paramore. Mas a volta de Weiland, um cliente assíduo de delegacias e clínicas de reabilitação, é sempre para se comemorar: é um dos honestos e viscerais frontmen do rock - uma cachoeira de problemas, mas um legítimo rock star. E algumas canções novas, como Hickory Dichotomy (com uma pegada meio Helter Skelter) e Dare if You Dare (supervintage) são legais.

Há dias, durante um show do Stone Temple Pilots nos Estados Unidos, o maluco do Weiland encarou, a capela, uma versão matadora de Fly me to The Moon, sucesso de Frank Sinatra. "Não é provável que façamos de novo. Aquilo aconteceu ali, foi uma coisa do Scott, mas não é algo que se repita com frequência", advertiu o baterista Eric Kretz, em papo com o Estado.

Scott Weiland é um grande performer, um daqueles roqueiros incendiários, de gestos feitos de síncopes, gritos e olhares paranoicos, uma dúzia de "fucking" e "motherfucker" a cada frase. Na vida cotidiana, alterna momentos de excentricidade com outros de doideira pura. Na internet, fez sucesso recentemente a gravação de uma entrevista a uma rádio de Tampa, Flórida, na qual ele não consegue se expressar direito. Demora longos períodos para tentar entender uma pergunta, e outros longos minutos para decidir o que responde. O radialista pergunta se ele andou bebendo.

Scott Weiland também já deixou sua crônica de excessos em São Paulo, durante sua passagem com o Velvet Revolver, em 2007. Brigou com a patroa na beira da piscina do hotel, depois de ser flagrado cantando uma garota de biquíni na área. Para relaxar, as mulheres de Scott Weiland e Duff McKagan não tiveram dúvidas: caíram no paraíso das compras da Oscar Freire. Voltaram ao hotel ontem carregadas com sacolas da Inovatti e da Lita Mortari.

Em meados do ano, Weiland anunciou que lançaria por agora um disco de canções de Natal, intitulado Most Wonderful Time of the Year. Não conseguiu e acabou dizendo que vai deixar para o Natal do ano que vem. Gingle Bells!

STONE TEMPLE PILOTS

Via Funchal. Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, telefone 3846-2300. Hoje, 22 h. De R$ 200 a R$ 300. www.viafunchal.com.br

Silvergun Superman

A canção que geralmente abre o show do Stone Temple Pilots, Silvergun Superman, é do segundo álbum do grupo, Purple, de 1994.

Wicked Garden

Segunda música do show é do disco de estreia da banda, Core, de 1992.

Vasoline

Também do disco Purple, o segundo single do álbum.

The Big Empty

É uma canção que apareceu pela primeira vez na trilha do filme O Corvo, com Brandon Lee, e depois foi incluída em Purple.

Lounge Fly

Terceira canção de Purple.

Army Ants

Outra música de Purple, o disco mais tocado na noitada.

Sour Girl

Esta canção apareceu no quarto álbum do grupo, Nº 4, lançado no ano 2000.

Interstate Love Song

Canção mais famosa de Purple, o clássico do STP.

Seven Caged Tigers

Última canção do álbum Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop (1996).

Down

Canção do quarto disco da banda, Nº 4, que chegou a ser indicadapara o Grammy em 2001, e integrou coletâneas da banda, como Thank You and Buy This.

Sin

Destaque do primeiro disco da banda, Core, de 1992, Sin trata da violência e da raiva contidas em uma relação afetiva.

Dead and Bloated

É tida como uma das mais pesadas canções do Stone Temple Pilots e também é do seu primeiro álbum.

Tripping on a Hole in a Paper Heart

Também do disco Tiny Music... Songs from the Vatican Gift Shop (de 1996), tem letra ambígua que gerou muitas leituras, até que Scott Weiland matou a charada confessando que trata de "uma péssima viagem com ácido".

Plush

A banda ganhou um Grammy em 1994 por essa música, e também diversos outros prêmios. como American e o MTV Music Awards. É a cereja do bolo.

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