A primeira direção de Marco Ricca

Ator assina o longa Cabeça a Prêmio, inspirado em obra de Marçal Aquino

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Ação e romance. Alice Braga e daniel Hendler          

 

 

 

 

 

Foi amor à primeira vista. Desde que leu o livro de Marçal Aquino, Marco Ricca ficou apaixonado pelo papel do protagonista de Cabeça a Prêmio. Ele chegou a contactar o autor, para adquirir os direitos, mas eles já haviam sido vendidos. Só que o filme nunca saiu e, mais recentemente, Marco Ricca pôde comprar a opção para adaptar Cabeça a Prêmio. No processo, já decidira que era o filme que queria fazer, em sua estreia como diretor. Em vez de fazer o papel principal, Ricca encarou o desafio de alargar sua visão.

"Embora os textos do Marçal tenham ação, não é ela que me atrai. A ação desencadeia essas possibilidades que os personagens abrem para eles e acho que o mais forte do trabalho dele é justamente a criação dos personagens. Fui ficando cada vez mais atraído por eles." O roteiro de Cabeça foi surgindo assim, comprometido com os personagens e seus ambientes, nessa região próxima em torno de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

A ação, a paisagem, muita coisa de Cabeça a Prêmio revela afinidades com Os Matadores, o belo longa de estreia de Beto Brant - que depois dirigiu Marco Ricca em O Invasor e Crime Delicado. Mas, por mais que considere Brant um grande diretor ("Ele está sempre se reinventando, não para"), Ricca acha que a possível afinidade vem do universo de Aquino, também autor da história (um conto) de Os Matadores. "Na verdade, há um diferencial forte entre os filmes. Preferi desenvolver a história de Cabeça pelo viés da tragédia familiar, que é uma coisa que está no livro, mas reforcei." O próprio Aquino participou da fase final da escrita.

Desde o início Ricca pensava nos atores e na cumplicidade que teria de estabelecer, para fazer o filme que queria. Alice Braga, sua companheira no elenco de A Via Láctea, de Lina Chamie - outra referência de direção para o estreante -, foi a primeira a ser sondada. O elenco foi montado a partir dela - Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Daniel Hendler. Em Budapeste, há pouco mais de um mês, o repórter do Estado encontrou Alice no set de The Rite, produção da Warner - estrelada por Anthony Hopkins - que estava sendo rodada na Hungria. Ela contava as horas para voltar ao Brasil. Na terça, foi a Campo Grande para mostrar o filme na própria região em que foi feito.

"Marco é meu irmão, fez esse filme bacana, com vários núcleos, como se fossem vários filmes dentro de um só. Quando ele me convidou e eu disse sim, nem sabia que se baseava numa história do Marçal (Aquino). Meu, foi muito louco. Perguntei - quando, que horas, que roupa devo usar? Foi assim que saltei no Cabeça." Valeu a pena. A coestrela de Eu Sou a Lenda, com Will Smith, considera o filme que estreia hoje uma das experiências viscerais de sua carreira.

CABEÇA A PRÊMIO

Direção: Marco Ricca

Gênero: Drama (Brasil/2008, 104 minutos).

Censura: 16 anos

 

 

 

 

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