A presepada de Ja Rule

No embalo de Cee- Lo Green, rapper atrasa e se recusa a tocar em festival brasileiro

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

As maravilhas da chamada "música negra" têm sido reconhecidas e ganhado espaço em festivais realizados em São Paulo em 2011, na Arena Anhembi. Este ano, Amy Winehouse, Janelle Monae e Instituto se apresentaram em janeiro. Em julho, o local receberá o festival Black na Cena, com Racionais MCs, Jorge Benjor, Criolo e Public Enemy. Anteontem foi a vez do Urban Music Festival que, marcado por diversos problemas e pela falta de organização, poderia receber o nome de Urban Mico Festival.

Na quarta-feira da semana passada, a principal atração do evento, o norte-americano Cee-Lo Green, havia cancelado sua apresentação, motivando um processo por parte dos organizadores. Amanhã, coincidentemente, ele será o apresentador de um megaevento organizado pelo jornal Los Angeles Times. No embalo de Green, anteontem foi a vez de Ja Rule surpreender e dar o cano.

O nova-iorquino estava escalado para tocar às 19 h, no Street Stage, o palco secundário do festival. Segundo a organização do evento, que recebeu cerca de 12 mil pessoas, Ja Rule chegou ao Anhembi atrasado e pediu para tocar mais tarde. Solicitação aceita, ele encerraria o festival depois de John Legend e The Roots. Ao fim deste último show, com grande parte do público já deixando a arena, à 0h10 de ontem, um dos organizadores subiu ao palco e informou que "Ja Rule se recusaria a tocar para 200 pessoas". "Queria que ele aparecesse aqui para eu jogar um monte de m... nele. Eu vim aqui só para ver o Ja Rule, fiquei esperando até esta hora, tenho que trabalhar cedo e o cara faz esse absurdo? Quero meu dinheiro de volta", reclamou o empresário Fábio Canatto. A organização informou que "vai tomar todas as medidas cabíveis contra o artista e ainda estuda o ressarcimento do público".

O discurso de indignação não saiu apenas da boca da plateia. No Palco Street, no horário previsto, com a melhor apresentação da noite, acompanhado de Instituto, Rael da Rima, Criolo, Dan Dan, Fabiana Cozza e Rodrigo Campos, o brasileiro Emicida criticou a postura dos americanos. "A gente foi tocar lá na Califórnia (referindo-se ao Festival Coachella) e os caras embaçaram para liberar nosso visto, barraram "nóis", achando que a gente era traficante. Aí os cara vêm aqui e acha que é terra de oba-oba. Tem que acabar com essa patifaria, respeitar "nóis" e nosso dinheiro", disparou, sendo ovacionado pelos presentes. Alguns ali chegaram a pagar R$ 650 pelo ingresso na pista vip premium. Emicida fez um show consistente, homenageando Chico Science, Nação Zumbi, Claudinho e Buchecha, cantando temas como Vacilão, Rua Augusta, Eu Gosto Dela e Capítulo 4, Versículo 3, dos Racionais.

A última música já havia sido executada no set do DJ King, que teve sua apresentação estendida por causa da ausência de Ja Rule. Tempo não é problema para King. Este ano ele entrou para o livro dos recordes depois de tocar por mais de 120 horas seguidas. No festival, ele animou a plateia com temas de RZO, Racionais, Thaíde e Tim Maia.

Infelizmente, a música ficou em segundo plano no evento. O encerramento coube a John Legend e a quente performance do The Roots. Com som baixo e o único e diminuto telão do festival sem funcionar durante o show de cerca de 1h40 minutos, a apresentação de Legend não decolou, mesmo com hits como Hard Times, Green Light e P.D.A. (We Just Don"t Care). Mesmo com talento, o bom-mocismo de Legend recebeu aplausos protocolares e não convenceu. E ainda houve espaço para a dispensável participação de Ana Carolina em Entreolhares (The Way You"re Looking At Me), gravada pelos dois em 2009, no disco N9vê.

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