A premiada Hermila Guedes mostra duas peças em Curitiba

Enquanto muitos premiados da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) esperavam para receber o seu troféu, na segunda-feira, a atriz Hermila Guedes - vencedora por sua atuação no filme O Céu de Suely - preparava-se para entrar em cena. Ela é uma das atrizes do espetáculo Três Viúvas de Arthur, atração do Recife que integra a mostra oficial do Festival de Teatro de Curitiba. Sua participação no evento não se restringe a essa montagem. O Coletivo Angu de Teatro, companhia pernambucana da qual é integrante, vai apresentar duas peças na mostra paralela: Angu de Sangue, que tem Hermila no elenco e será exibida na quinta-feira e na sexta, e ainda Ópera, que terá apresentações sábado e domingo. Na tarde de segunda, ao entrar no palco do Guaíra e deparar-se com cerca de 15 jornalistas que a esperavam, seu rosto ganha a expressão de quem preferia estar no camarim. Mas logo fica claro que não se tratava de pose de estrela, mas de timidez. Pernambucana de Cabrobó, diz que teatro e cinema apareceram juntos em sua vida. ?Fiz uma peça infantil e logo depois um curta-metragem?, diz. ?É muito mais difícil estar no palco do que no set. Sou introspectiva, tenho dificuldade com a linguagem teatral.?No palco, os outros atores repassam as músicas do espetáculo, entre eles Arilson Lopes, ator do Coletivo Angu, que interpreta um criado português em Três Viúvas. Articulado, falava com a imprensa sobre o Coletivo, mas quando Hermila chega, todas as atenções se voltam para ela. ?A repercussão do filme, de início, assustou. Chorei muito em quarto de hotel. Pensava, meu Deus, o que está acontecendo? Ainda é difícil de entender.? Quanto ao Prêmio APCA, avalia: ?Prêmio é reconhecimento, queria estar lá. Mas não pude ir receber porque estou trabalhando, e isso é bom.?Um projeto importante chamado O Aprendiz em Cena criado em 2002 no Recife é a origem do espetáculo Três Viúvas de Arthur. Foi criado com o objetivo de unir artistas de diferentes gerações. Jovens diretores são chamados para encenar montagens com artistas experientes. Assim, nasceu esse espetáculo que traz três peças curtas do dramaturgo Arthur Azevedo (1855-1908) - Amor por Anexins, Uma Consulta e O Oráculo - dirigidos, respectivamente, por Kleber Lourenço, Cláudio Lira, Jones Mello. Não por acaso são as mesmas encenadas pelo Grupo Tapa, em São Paulo, com o mesmo título. ?Antonio Candengue, o orientador do projeto, viu, gostou, e achou que seria bom fazer no Aprendiz em Cena?, diz Arilson Lopes.Infelizmente, no entanto, o espetáculo não tem a qualidade que se esperava. Amor por Anexins se salva pela delicadeza, o único que não apela para o tom farsesco, mas perde tempos de humor e tem movimentação pouco marcada, que não ajuda o movimento ?interno? dos personagens. Uma Consulta peca pelo tom caricato, exagerado, que se repete, embora mais amenizado, em O Oráculo. No século 19 - figurinos e cenografia mantêm a época -, a viúva é uma mulher especial pela sensualidade. Livre da tutela do pai, possui e desperta um desejo que já pode ser explicitado - ao contrário da virgem -, mas ainda tem de ser contido, para não ?ficar falada?. Essa medida se perde no espetáculo e é justamente dela que brota o humor. Faltou no palco a graça ingênua que é a delícia desses textos. A repórter viajou a convite da organização do festival

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