´A Porta do Inferno´ de Rodin chega a SP

- A Porta do Inferno, idealizada pelo escultor Auguste Rodin, foi inspirada no inferno de Dante, de A Divina Comédia. O Pensador - em menor proporção - no centro da Porta, representa a figura universal rodeada por uma multidão de sombras. O trabalho reúne cerca de 120 pequenas esculturas, cuja maioria ganhou vida independente depois que Rodin o finalizou.Encontrada na versão bronze nos jardins do Museu Rodin, em Paris, a Porta e outras 42 esculturas, além de 25 desenhos e 10 fotografias, desembarcaram no fim de semana na Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2, tel. 229-9844) e poderão ser visitadas do dia 7 de outubro até 9 de dezembro na exposição Rodin - A Porta do Inferno.Depois de mais de 12 horas de viagem de avião, as caixas que acomodaram os fragmentos de A Porta do Inferno foram abertas hoje e suas partes, unidas no Espaço Mário Covas da Pinacoteca. O que se verá na mostra é uma versão em gesso fundido da obra, cedida pelo Museu Rodin.Essa versão foi criada a partir da original em gesso, parte integrante do acervo do Museu D´Orsay, em Paris, e serviu de base para a fundição de sete versões em bronze, espalhadas por museus de outros países, como Coréia, Japão e Estados Unidos. Somente mais um modelo em bronze poderá ser reproduzido."Rodin trabalhou durante dez anos na Porta (ele recebeu a encomenda em 1880) e fez uma série de mudanças ao longo desse período", descreveu a conservadora-geral de esculturas no Museu Rodin, Antoinette Le Normand-Romain, que acompanhava atenta à abertura das caixas. "A obra tem influência de Michelângelo e do Julgamento Final."De acordo com a coordenadora da mostra Rodin - A Porta do Inferno, Ana Helena Lefévre, a exposição acolherá peças inéditas do escultor para o público brasileiro. "São esculturas em gesso, mármore e terra cota, que nunca vieram ao Brasil, por serem frágeis", comentou. "Mas por causa da sensibilidade do diretor do Museu Rodin (Jacques Vilain), elas puderam ser trazidas."A produtiva parceria entre Pinacoteca do Estado e Museu Rodin iniciou-se em 1995. Desde aquela época, a Pinacoteca promove mostras temáticas de Rodin, além de manter em seu acervo nove esculturas dele.O diretor da Pinacoteca e autor do projeto, Emanoel Araújo, adiantou que uma décima obra será agregada a esse acervo. "A exposição significa a relação de maturidade entre os museus", completou. "Nós nos tornamos uma instituição que dialoga com outras instituições brasileiras."

Agencia Estado,

25 de setembro de 2001 | 17h06

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