Acervo Rafael Grampá
A personagem Batwoman desenhada por Rafael Grampá Acervo Rafael Grampá

'A política sempre fez parte do Cavaleiro das Trevas', diz Frank Miller na CCXP 2019

Quadrinista americano está no Brasil para participar pela terceira vez do evento; ele lança na semana que vem o próximo capítulo da saga, feito em parceria com o brasileiro Rafael Grampá

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

07 de dezembro de 2019 | 17h19

Lenda dos quadrinhos, o americano Frank Miller está em São Paulo para sua terceira (em seis anos) CCXP. Na tarde deste sábado, 7, ele deu uma entrevista coletiva ao lado do brasileiro Rafael Grampá, com quem desenhou a nova edição do seu icônico Batman, The Dark Knight Returns: The Golden Child.

A produção da CCXP 2019 pediu (por uma solicitação da editora de Miller) para os jornalistas não fazerem perguntas sobre os protestos em Hong Kong, mas o americano falou do elemento político do seu quadrinho. "Uma história boa é uma boa história, independente de como você for contar. O Cavaleiro das Trevas sempre se relacionou com política, desde a época do Ronald Reagan. Isso é parte do personagem. É uma paródia política. E a gente se diverte com isso. Quem se afeta é justamente quem deveria ser afetado", disse.

Segundo a impressão passada pelos artistas na entrevista, em The Golden Child a personagem Carrie Kelley ganha ainda mais protagonismo e se torna um contraponto interessante ao Batman.

"Talvez essa entrevista deveria ser chamar 'Frank e Rafa falando sobre sapatos'", disse Miller. "Uma das coisas que me convenceram a trabalhar com o Rafa foi uma imagem, dele, da Carrie Kelly, com algumas alterações inteligentes, ousadas, perfeitas. Parecia o que eu fazia antes, mas tomando uma nova direção mais bem desenhada e muito mais contemporânea. Os óculos estavam melhores, em três dimensões, e muito na moda. Mas isso não era nada. Foram os sapatos e o nível de detalhe neles. Os sapatos da Carrie a partir de agora vão ser um desafio para qualquer artista", completou, fazendo as cercas de 50 pessoas rirem.

Para Miller, Carrie é "a reviravolta final da história", e sua voz é que poderá guiar a franquia para o futuro. "Ela não tem a bagagem de raiva que o Batman traz. Durante a vida toda dele ele foi o mais inteligente e agora isso não é mais verdade. É sempre um interesse meu trazer personagens femininas. Histórias apenas de homens se digladiando se perde mais da metade da diversão."

Foi na primeira vinda de Miller para a CCXP que ele e Grampá se conheceram. "A essência dele é generosidade", disse o brasileiro sobre o colega americano. "Quando comecei a fazer o trabalho, estava nervoso, mas ele me deixou tranquilo."

Miller ainda teve tempo de comentar as continuações de Cavaleiro das Trevas (publicado originalmente em 1986; The Golden Child é o quarto livro). "Quando eu escrevi a primeira história do Cavaleiro das Trevas, terminava com o Batman morrendo. Eu tive que discutir muito com o editor para esse final. Mas aí eu mudei. A DC Comics apoiou totalmente o livro, mas quando eu estava chegando naquele ponto da história decidi que não era esse o final. Decidi que seria o fim da saga, mas sem ele morrer. Fiz minha história do Batman e coloquei isso de lado. Mas o velho continua me achando e me atraindo de volta, independente do que eu faça."

The Golden Child será publicado nos Estados Unidos no próximo dia 11. Miller e Grampá participam de um painel da CCXP 2019 no domingo, 8, às 11h.

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CCXP: Como é a vida de um quadrinista iniciante no evento

Artista que largou emprego para estrear nos quadrinhos em 2019 fala sobre como foi participar da CCXP

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 16h42

Há dois anos, Renato Dalmaso era gerente de uma loja e apenas desenhava por diversão. Aos 35 anos, decidiu largar o emprego e se arriscar no mundo dos quadrinhos. Agora ele está na CCXP vendendo e autografando sua obra de estreia, O Elísio, lançado pela editora Avec.

"Esse projeto me atormentava desde 2012", conta ele ao Estado. "Eu sempre quis fazer uma história de guerra, mas também queria falar sobre o Brasil."

O Elísio narra a saga verdadeira de Eliseu de Oliveira, pracinha brasileiro que combateu durante a 2.ª Guerra Mundial e foi capturado pelo exército nazista na Itália, tendo sobrevivido à tortura. Morto em 2012, o soldado inspirou uma monografia que Dalmaso usou para compor sua graphic novel.

Para participar da CCXP, o quadrinista precisou não apenas passar por um processo seletivo que filtrou as milhares de inscrições para o evento, mas pagar R$ 450 por um espaço no Artist's Alley, onde os autores de HQs podem exibir seu trabalho e vender suas obras. (Cada mesa, que pode ser dividida por mais de um artista, custa R$ 900.)

"Faz sentido participar da CCXP como autor iniciante desde que você faça um marketing da sua obra com antecedência", explica ele, que enviou seu trabalho para diversos críticos e obteve resenhas positivas antes de ir ao evento. "Ninguém me conhece, mas a maior parte das pessoas que vieram comprar meu quadrinho havia lido alguma resenha", acrescenta.

Na tarde do sábado, terceiro dia de evento, Dalmaso já havia vendido 120 de seus livros, o que fez sua participação compensar a falta de auxílio para alimentação dos artistas e o estacionamento de R$ 50.

O quadrinista conta que teve parentes que lutaram no conflito, mas suas principais inspirações vieram de outros autores, mais especificamente de Ás Inimigo, de George Pratt, além de trabalhos de Alex Ross e Alex Raymond, que influenciaram bastante sua arte aquarelada.

Agora, Dalmaso está preparando um novo quadrinho para 2020, e pretende voltar à CCXP na edição do ano que vem. "Valeu muito a pena", comemora o artista.

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CCXP 2019: Programação, painéis, horários, como chegar, o que levar

Veja o serviço completo para a edição da CCXP 2019 em São Paulo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2019 | 15h58

A CCXP 2019 começa nesta quinta-feira, 5, no São Paulo Expo, zona sul da capital paulista. Segundo a assessoria de comunicação, todos os ingressos já estão esgotados.

Mas quem garantiu a entrada vai poder conferir uma série de ativações, painéis, lojas, shows de música e as milhares de atrações que a CCXP prepara todos os anos. São esperados cerca de 280 mil visitantes durante os 4 dias do evento.

A CCXP ocorre de 5 a 8 de dezembro de 2019. A feira da cultura pop fica aberta nos seguintes horários: quinta-feira e sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h. Veja abaixo programação e outras dicas para o evento.

Veja a programação completa dos painéis da CCXP 2019:

  • QUINTA-FEIRA, 5

AUDITÓRIO ULTRA

  • 15h30 - O que vem por aí com os malucos da Stout Club
  • 16h30 - Astros dos quadrinhos: Frank Quitely
  • 17h30 - Iron Studios 2020

AUDITÓRIO PRIME

  • 14h00 - MASTERCLASS - Aguada com Rafael Albuquerque
  • 15h30 - MASTERCLASS - Quadrinhos e Política por Laerte e Rafael Coutinho
  • 17h00 - Astros dos quadrinhos: André Dahmer
  • 18h00 - O2: Chorão - Marginal Alado
  • 19h00 - Shang-Chi, Valquíria e Blade: O futuro da representatividade na cultura pop

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 14h00 - Abertura Creators Stage by Trigg - Ilusionistas com apresentadores
  • 14h45 - Pontifexx, Zeeba E Le Dib apresentam Feelings - Talk show
  • 17h00 - Desfile Cosplay
  • 18h00 - UTC Live - Ultimate Trocadilho Championship
  • 19h00 - “O que os heróis da Marvel e DC têm em comum?" Os segredos das cenas de ação de Hollywood com Bobby Holland e Duda Nagle
  • 20h00 - Show - Far From Alaska

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 12h30 - Castelo Rá-Tim-Bum: Cao Hamburger e os 25 anos da série
  • 14h - Rei Leão: Dando vida à savana
  • 15h - Homem-Aranha: Desbravando o Aranhaverso
  • 16h - Entendendo o Terror Japonês - Com Takashi Shimizu

O mestre japonês do terror, Takashi Shimizu, cruza o planeta para assombrar os pesadelos dos fãs na CCXP 19 com histórias sobre O Grito e seus outros projetos.

  • 17h - Riot Games
  • 18h - Sor Batman: Iain Glen

Painel com o ator de Game of Thrones, Titans, Resident Evil.

  • 19h - Batman - 80 Anos

Com os quadrinistas Neal Adams, Frank Quitely, Joëlle Jones, Eduardo Risso, Mikel Janín, Rafael Grampá e Rafael Albuquerque

  • 20h - Warner Bros. - Aves de Rapina

Com Margot Robbie, Jurnee Smollet-Bell, Ella Jay Basco, Mary Elizabeth Winstead, Rosie Perez, Cathy Yan, Mari Moon (Moderadora)

  • SEXTA-FEIRA, 6

AUDITÓRIO ULTRA

  • 13h30 - Panini Comics - O que vem por aí
  • 14h30 - Tormenta 20 Anos
  • 15h30 - Talentosa pra diabo! Lesley-Ann Brandt
  • 16h30 - The Walking Dead - O Início
  • 17h30 - Mestres dos quadrinhos: Neal Adams
  • 18h30 - Riot apresenta... True Damage
  • 19h30 - Dungeons & Dragons: RPG ao vivo

AUDITÓRIO PRIME

  • 13h - MASTERCLASS - Design de personagens com Mike Deodato Jr.
  • 14h30 - MASTERCLASS - Desenhando o Morcego com Mikel Janín
  • 16h - 25 anos da Herói
  • 17h - HBO - Todxs Nós
  • 18h - Making of: O Pôster oficial da CCXP19
  • 19h - Novidades da Social Comics
  • 20h - Tudo sobre Webtoon

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 14h - Banda Leela
  • 14h25 - Operação Cinema - Desafio dos Filmes com Emojis
  • 15h20 - Otaviano Costa - transição da TV para o digital
  • 16h - Cueio Live Show Com Gato Galáctico
  • 17h - Tropkillaz - Pela união dos seus poderes, eu sou a cultura pop!
  • 18h - Desfile Cosplay
  • 20h - Show - Fresno

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 11h - Playmobil: O Filme - pré-estreia exclusiva
  • 13h - A criação de Playmobil - O Filme
  • 15h30 - Lana Parrilla: Era Uma Vez uma Rainha
  • 16h30 - MSPVERSO - As novidades da MSP pra 2020
  • 17h30 - Cartoon Network - Trem Infinito

O novo sucesso do Cartoon Network, a série Trem Infinito, desembarca na estação central da CCXP. A bordo desse trem, o criador Owen Dennis discute as mensagens, a aventura e os personagens da animação.

  • 18h30 - Amazon Prime Video

Painel com o elenco das séries Star Trek, The Expanse e The Boys, todas da Amazon Prime Video.

  • SÁBADO, 6

AUDITÓRIO ULTRA

  • 12h - Entrevistaço: Mauricio de Sousa
  • 14h - WOW: Criando mundos na Blizzard
  • 15h - Grande Almanaque dos Super-Heróis Brasileiros - Chiaroscuro Studios
  • 16h - Transmissão Fantasma com Takashi Shimizu
  • 18h - Batman 80 anos - A Celebração
  • 19h30 - Dungeons & Dragons: RPG ao vivo

AUDITÓRIO PRIME

  • 12h - MASTERCLASS - Roteiro & Arte Joëlle Jones
  • 13h30 - MASTERCLASS - Narrativa gráfica Eduardo Risso
  • 15h - D&D e as novidades da Galápagos Jogos
  • 16h - Pasquim 50 anos
  • 17h - Bifrost: O arco-íris na cultura pop
  • 18h - Bruttal - Gibis com soco na cara
  • 19h - Cartoon Network apresenta: AnyMalu
  • 20h - Tudo sobre Webtoon

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 14h30 - Pipocando e Nerdstones - conteúdo e música
  • 15h30 - Change The Game - Mulheres mudando o jogo
  • 16h30 - Ilha de Barbados Convida
  • 19h - Desfile Cosplay
  • 20h15 - Show - Supercombo

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 10h - Frozen 2 - Pré-estreia especial
  • 12h - Frozen 2 - De volta a Arendelle
  • 12h30 - Pixar - Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
  • 13h30 - Disney Parks - Star Wars: Galaxy's Edge
  • 14h15 - Um Espião Animal
  • 15h - Free Guy - Assumindo o Controle

Com Ryan Reynolds, Joe Kerry, Shawn Levy.

  • 16h - Marvel Studios

Com Kevin Feige.

  • 17h - Star Wars

Daisy Ridley, J.J. Abrams, John Boyega, Oscar Isaac, Kathleen Kennedy, Érico Borgo (moderador)

  • DOMINGO, 8

AUDITÓRIO ULTRA

  • 11h30 - Furiosas: Mulheres que chutam bundas
  • 12h30 - Os mundos de Laerte
  • 13h30 - Hora de Morfar com David Yost
  • 14h30 - Espadachim de Carvão - A Série Animada - Preview Especial com Split Studio
  • 15h30 - O making of do novo episódio de O Cavaleiro das Trevas
  • 16h30 - Fábio Moon e Gabriel Bá - Quadrinhos em Dose Dupla
  • 17h30 - Marvel Comics
  • 18h30 - Dungeons & Dragons: RPG ao vivo

AUDITÓRIO PRIME

  • 12h - MASTERCLASS - Capas com Tim Bradstreet
  • 13h30 - MASTERCLASS - Aquarela com Mike McKone
  • 15h - Design Geek - Criando para o Omelete e CCXP
  • 16h - Gaulês e The Enemy apresentam: 20 anos de Counter-Strike
  • 17h - Não mete política no meu quadrinho
  • 18h - Mangá BR
  • 19h - O que aconteceu com o nerd que estava aqui?

CREATORS STAGE BY TRIGG

  • 13h30 - Banda Leela
  • 14h - Efeitos Visuais na TV aberta - O mundo geek de "As Aventuras de Poliana"
  • 16h45 - Dublaralho - Affonso Solano e Gaveta
  • 17h45 - Concurso Cosplay - Final
  • 19h - Show - Scalene

AUDITÓRIO CINEMARK XD

  • 11h - Batman 80 anos - The Dark Knight Returns: The Golden Child

Com Frank Miller, Rafael Grampá, Érico Borgo (moderador), Silenn Thomas, Justin Townsend.

  • 12h - Netflix

Com Ryan Reynolds, Michael Bay, Rodrigo de la Serna, Esther Acebo, Pedro Alonso, Alba Flores, Darko Peric.

  • 15h - HBO

Com Dafne Keen, Ruth Wilson, Clarke Peters (His Dark Materials).

  • 16h30 - Warner Bros. 2020

As novidades da Warner Bros. para 2020 em um painel repleto de conteúdo inédito.

  • 17h30 - Warner Bros. apresenta: Mulher-Maravilha 1984

Com Gal Gadot, Patty Jenkins.

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Como chegar na CCXP 2019:

  • De Metrô e ônibus:

Durante o evento, a CCXP terá ônibus gratuitos fazendo o trajeto Estação Jabaquara (Linha Azul do Metrô) - São Paulo Expo, das 7h às 23h. Haverá van acessível (PCD).

  • De carro:

Há um estacionamento no São Paulo Expo. O custo é de R$ 50 por 12 horas para carros comuns.

  • De bicicleta:

São 430 vagas para bicicletas e acesso gratuito para os visitantes. É necessário levar cadeado.

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O que NÃO pode levar para a CCXP 2019:

  • embalagens rígidas e com tampa (exemplo: potes de plásticos do tipo “tupperware”);
  • latas;
  • capacetes;
  • armas de fogo ou armas brancas de qualquer tipo (facas, canivetes, etc); (
  • cadeiras/banquinhos;
  • objetos pontiagudos;
  • objetos perfurantes ou cortantes (tesoura, estiletes, pinças, cortadores de unha);
  • fogos de artificio, dispositivos explosivos, sinalizadores e aparatos incendiários de qualquer espécie;
  • bebidas alcoólicas;
  • substâncias venenosas e/ou tóxicas, incluindo drogas ilegais;
  • skate, bicicleta ou qualquer tipo de veiculo motorizado ou não;
  • isopor, cooler ou qualquer tipo de utensílio para armazenagem;
  • bomba de ar manual ou elétrica.

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Onde retirar o ingressos da CCXP 2019:

Para quem selecionou a opção "retirada no evento", seguem os dias e horários para retirar o seu pedido no local da CCXP (São Paulo Expo, Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5.

Edifício garagem - Térreo

  • 1/12/2019 a 3/12/2019 das 09h às 20h
  • 4/12/2019 a 7/12/2019 das 07h às 21h
  • 8/12/2019, das 07h às 20h

É necessário levar o número do pedido e documento com foto. Caso a retirada seja feita por outra pessoa, é obrigatório apresentar o documento de identificação com foto do titular da credencial (original ou cópia).

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A CCXP 2019 tem Wifi gratuito?

Sim, segundo o site oficial.

Como se conectar ao Oi WiFi:

  1. Acesse a rede Oi WiFi.
  2. Abra o navegador e aguarde a tela de login.
  3. Se precisar, entre em qualquer site para que a página de login apareça.
  4. Escolha entrar pelas suas redes sociais ou faça um novo cadastro.
  5. Concluindo o login, clique em “Navegar”. Pronto. Você estará conectado ao Oi WiFi.

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CCXP19  

Datas: de 5 a 8 de dezembro de 2019   

Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda, São Paulo - SP)  

Ingressos: Esgotados

Horários: Quinta-feira e Sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h.

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'Hoje todo mundo é geek, mas ninguém percebeu', diz CEO da CCXP19

Pierre Mantovani fala sobre as expectativas para o evento que começa nesta quinta-feira, 5, em São Paulo

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 07h00

De Maurício de Sousa aos Vingadores, o mundo da cultura pop se reúne em São Paulo esta semana para a 6ª edição da Comic Con Experience (CCXP) começa nesta quinta-feira, 5, já com seus ingressos esgotados. 

“Somos a maior Comic Con do mundo pelo terceiro ano seguido”, afirma Pierre Mantovani, CEO da CCXP. A lotação máxima foi atingida pela primeira vez este ano, demonstrando a evolução do evento criado em 2014. Esperando um público de 280 mil pessoas, a CCXP terá cerca de 100 mil pessoas a mais que a tradicionalíssima San Diego Comic-Con, feira criada em 1970 e que foi a inspiração para o evento brasileiro. 

Para Mantovani, a proporção que a CCXP tomou no País é um reflexo da própria sociedade: “Hoje em dia, todo mundo é geek, mas ninguém percebeu. Tem muito mais gente assistindo a séries, jogando videogames, do que vendo novela.”

Para atender a essa demanda, durante os quatro dias de evento, o público terá acesso a palestras de artistas estrangeiros e nacionais; oficinas de quadrinhos; discussões sobre o atual estado da cultura nerd, além de lojas e estandes com atrações de empresas e estúdios de cinema.

Alguns dos principais destaques da programação da feira são os painéis com os elencos de filmes aguardados, como Star Wars: A Ascensão Jedi e Mulher-Maravilha 1984

Séries de TV e streaming como The Boys (Amazon Prime Video), La Casa de Papel (Netflix) e His Dark Materials (HBO) também terão apresentações com seus elencos, provando a relevância desse formato para a cultura pop atualmente.

Como não poderia deixar de ser, no entanto, o coração da feira são os quadrinhos. No ano em que o Batman completa oito décadas, grandes nomes que contribuíram com o personagem, como Frank Miller, Neal Adams, Joelle Jones, Mikel Janin e Frank Quitely, terão painéis para falar sobre o Morcego. Entre os representantes brasileiros, Mike Deodato Jr., Rafael Grampá, Laerte, Rafael Coutinho e Joe Prado são alguns dos quadrinistas que devem palestrar. 

Embora a música não seja o foco do evento, os visitantes da feira também poderão conferir shows das bandas brasileiras Far From Alaska, Fresno, Supercombo e Scalene.

É esperado que a CCXP movimente ao todo R$ 265 milhões na cidade de São Paulo, o que chama atenção também para o impacto econômico da cultura de modo geral. “Se somar todas as indústrias que estão aqui, games, cinema, música, a economia criativa é muito grande e ainda há muita oportunidade de crescer, o Brasil deveria surfar mais nessa onda e investir em cultura”, acredita Mantovani.

A CCXP ocorre na São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda) de 5 a 8 de dezembro de 2019, e fica aberta nos seguintes horários: quinta-feira e sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h. Fique por dentro da programação completa do evento.

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CCXP: 'Hoje há menos foco no seu gênero e mais em bons trabalhos', diz Joelle Jones

Primeira mulher a assumir a série principal do Batman vem ao Brasil para ministrar oficina de roteiro e arte na CCXP

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 06h00

A artista Joelle Jones tem apenas 39 anos, mas já deixou uma importante marca no mundo dos quadrinhos: em 2018, tornou-se a primeira mulher a desenhar duas edições seguidas da série principal do Batman. Esse feito demonstra sua relevância dentro da DC Comics, mas também é uma evidência óbvia da disparidade de gêneros na indústria do entretenimento.

“Eu sinto que as coisas estão lentamente começando a se equilibrar”, analisa Jones, que é uma das atrações internacionais da 6ª edição da CCXP, em entrevista ao Estado. “Hoje á menos foco no seu gênero e mais foco em bons trabalhos. Se você for boa e consegue cumprir prazos, independente do seu gênero, você vai se dar bem”, acrescenta ela.

Nascida nos Estados Unidos, Jones é uma das quadrinistas que vieram para o Brasil esta semana falar sobre Batman em um painel da CCXP em homenagem aos 80 anos do personagem. O bate-papo terá duas edições: hoje, 5, e no sábado, 7. 

Além de Jones, quadrinistas consagrados como Neal Adams (que revitalizou o Batman nos anos 1970 em parceria com o roteirista Dennis O’Neil), Mikel Janin (artista espanhol que migrou do terreno independente para as HQs de super-heróis e foi recentemente um dos responsáveis pelo sucesso do premiado arco do Homem-Morcego escrito por Tom King), Frank Quitely (que recriou a dinâmica entre Batman e Robin dez anos atrás em parceria com Grant Morrison) e Frank Miller (autor de O Cavaleiro das Trevas, uma das obras fundamentais do personagem).

Atualmente responsável pela Mulher-Gato na DC, Joelle Jones despontou no mundo dos quadrinhos com uma série original publicada pela Dark Horse e intitulada Lady Killer. Na obra, a expressão, comumente usada para se referir a homens galanteadores, é subvertida, assim como o estereótipo da mulher submissa. A HQ narra a história de Josie, uma dona de casa dos anos 1960 que secretamente é uma matadora de aluguel.

“Josie parece ser a dona de casa perfeita na superfície, mas ela é muito mais do que isso. Com a Mulher-Gato ocorre exatamente o mesmo. Contradição e subversão de expectativas são conceitos realmente interessantes para mim”, afirma a artista. Confira a íntegra da entrevista dela ao Estado:

Como seus estudos em pintura influenciaram sua arte nos quadrinhos?

Acho que é tudo sobre composição. Não importa o que você está fazendo. E a pintura me deu uma abordagem bastante pragmática para atacar uma obra. Criar algo que contenha profundidade e camadas.

Quais são as principais diferenças entre trabalhar com uma personagem que você criou, como em Lady Killer, e uma que já existe, como a Mulher-Gato?

A alegria de trabalhar com a Mulher-Gato é que essencialmente alguém está me deixando brincar com seus brinquedos, a DC no caso. Eu amava a Selina e sempre senti que poderia contar uma história muito interessante se tivesse a chance. Mas trabalhar com uma personagem que tem uma história tão rica também vem com muita responsabilidade. Você não pode simplesmente fazer o que bem entender. Você tem que ser respeitosa com aquela história, deixando sua própria marca na personagem e então a deixando em uma boa posição para o próximo artista. Você basicamente tem a custódia da personagem. É muito divertido trabalhar em algo que tem determinados perímetros, te obriga a ser criativa. Com Lady Killer, não há parâmetro exceto os que eu defini. Isso é bom e ruim. Eu amo criar um mundo completamente meu e poder ditar as regras para a personagem. O céu é o limite. Mas quando você tem esse nível de liberdade, você realmente deve se policiar para não perder o controle. Eu amo trabalhar com ambas, mas são animais bem diferentes.

 

Como a primeira mulher a trabalhar em edições subsequentes na série principal do Batman, como você vê a luta por igualdade de gênero na indústria dos quadrinhos?

Eu sinto que as coisas estão lentamente começando a se equilibrar. Hoje há menos foco no seu gênero e mais foco em bons trabalhos. Se você for boa e consegue cumprir prazos, independente do seu gênero, você vai se dar bem.

Em Lady Killer, você subverte o estereótipo de dona de casa. Como você encara as convenções dos quadrinhos de heróis de uma perspectiva feminina?

Bem, personagens que são interessantes para mim são complicadas. Pessoas que me interessam também. Algo que parece uma coisa na superfície, mas é completamente diferente nas profundezas. Josie parece ser a dona de casa perfeita na superfície, mas ela é muito mais do que isso. Com a Mulher-Gato ocorre exatamente o mesmo. Contradição e subversão de expectativas são conceitos realmente interessantes para mim.

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CCXP 2019: Maurício de Sousa anuncia novo filme da Turma da Mônica

Artista compartilhou seus planos para 2020; séries do Globoplay também ganharam novos detalhes

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2019 | 20h08

Uma das buscas da CCXP em 2019 é ganhar relevância em anúncios impactantes para a indústria do entretenimento como um todo – quando os participantes são brasileiros, a concretização dessa ideia é muito mais fácil. É o caso do Globoplay e da Mauricio de Sousa Produções – as duas empresas foram protagonistas de painéis na CCXP 2019 nesta sexta, 6, apresentando novidades para 2020.

 

 

A MSP anunciou uma parceria com a Disney para a produção de conteúdos para o lançamento do novo Star Wars. No painel, com a presença de Mauricio e Mônica de Sousa, a empresa apresentou uma amostra da Turma da Mônica Toy com as roupas da franquia galáctica. Outro anúncio: Turma da Mônica: Lições, segundo filme da MSP, começa a ser filmado em janeiro de 2020 e terá Daniel Rezende, o mesmo diretor de Laços. O elenco também permanece – a nova história tem um contexto escolar, inspirado na Graphic MSP de Vitor e Lu Cafaggi.

As HQs autorais do universo da Turma da Mônica ganham quatro novas edições em 2020, e uma delas é a continuação de Jeremias – Pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa (vencedores do Jabuti). Novos livros sobre Penadinho (Paulo Grumbin e Cristina Liko), Astronauta (Danilo Beyruth) e a primeira edição do Cascão (Camilo Solano) também saem ano que vem.

Uma série com atores reais, inspirada no livro sobre Jeremias, também está em fase inicial de desenvolvimento.

Já o Globoplay deu mais detalhes sobre a produção de três novas séries originais da plataforma de streaming da GloboEu, Avó e a Boi é uma série de comédia com Vera Holtz e Arlete Salles, com roteiro de Miguel Falabella e direção de Paulo Silvestrini. Em conexão com o momento, a obra traz duas famílias que se afastam por conta da rivalidade das duas personagens.

Onde Está Meu Coração vai abordar o tema da dependência química. Criada por George Moura, a série tem no elenco Fabio Assunção, que enfrentou a dependência na vida real. No painel, o ator disse estar feliz em poder trabalhar o assunto em uma série, e “não tendo a minha imagem roubada para isso”.

Mas a principal aposta da plataforma é Desalma, produção que caminha entre o drama e o terror, com forte pegada sobrenatural. O diretor é Carlos Manga Junior e o elenco tem Cassia Kiss, Maria Ribeiro e Cláudia Abreu. No total, nesta CCXP, o Globoplay anunciou 16 produções originais para 2020, entre inéditas e novas temporadas

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CCXP 2019: Margot Robbie e sua nova versão de Arlequina

Atriz veio mostrar ‘Aves de Rapina’ na CCXP 2019 e defendeu que homens devem ser feministas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2019 | 19h44

 

Margot Robbie foi triunfal no painel da Warner, na quinta-feira, sobre Aves de Rapina. Acompanhada pela diretora Cathy Yan e por colegas de elenco (Mary Elizabeth Winstead, Rosie Perez, etc.), ela veio apresentar o longa ‘da Arlequina’ na CCXP. Na sexta, 6, deu entrevista ao Estado num hotel de luxo da região de Panamby, junto ao exuberante Parque Burle Marx. O filme estreia em 6 de fevereiro. Mais duas semanas e o Brasil inteiro estará entregue aos festejos de Momo. Carnaval! “Eu sei, deveria voltar”, diz Margot. E acrescenta: “Estive aqui anos atrás, numa viagem pessoal. Diverti-me muito.”

Em Aves de Rapina, Margot retoma a personagem dos comics que interpretou em Esquadrão Suicida, de David Ayer, há três anos. Embora tivesse mulheres fortes (a Arlequina de Margot, as personagens de Viola Davis, Cara Delevingne e Karen Fukuhara), o filme era predominantemente masculino, e não vingou. Mas Margot formava uma dupla bem dinâmica com o Coringa de Jared Leto. “Éramos um casal disfuncional, mas divertido”, ela define. “Adorei trabalhar com Jared, ele vai fundo no papel, se compromete, e eu gosto disso.” 

Na volta de Arlequina, tudo mudou, a começar pela direção, entregue a uma mulher - Cathy Yan. Jovem e bela, ela dirigiu anteriormente Dead Pigs em Shangai. Faz uma estreia que parece muito auspiciosa - pelo trailer, verifique - no cinema de ação (e blockbuster). Arlequina e Coringa chegaram ao fim da linha e ela inicia nova fase. Forma grupo de mulheres poderosas que, logo em seguida, está partindo para a luta para proteger uma garota.

Ops! É uma frase do trailer - “Nunca chame uma mulher de garota. Chame até de vaca, mas não de garota.” Arlequina está botando para quebrar. Explica para a tal ‘jovem’ a origem de seu nome - Arlequim vive para servir, precisa de um amo e isso é tudo o que ela não quer. Boa deixa para perguntar - Margot teve uma ascensão meteórica em Hollywood. Em pouquíssimo tempo, cavou seu espaço, obteve reconhecimento e ganhou até indicação para o Oscar de melhor atriz - por Eu, Tônia, de Craig Gillespie. No início, talvez, ela tenha ficado um pouco à sombra de nomes mais consagrados, e de atores como Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. Pode-se comparar a frase da personagem com a trajetória da atriz? “Entendo o que você quer dizer, e é verdade. Tenho hoje uma visibilidade muito maior, não me sinto à sombra de ninguém. Mas essa é só uma forma de encarar as coisas, porque o cinema é uma arte colaborativa e, como atriz, tudo o que não quero é me alçar a um posto em que fique sozinha. Gosto muito do diálogo, de interagir, e os melhores momentos no set são aqueles em que estou contracenando.”

 

 

No painel da CCXP, ela disse uma coisa interessante. Que se define como feminista, mas não acha que só mulheres o devam ser. Homens também podem. Como, Margot? “Não estou falando em ideologia feminista, o que é importante, mas em igualdade de gênero. Defendo que as mulheres devam ter as mesmas oportunidades e o mesmo reconhecimento que os homens. O mundo evoluiu muito e a indústria do cinema tem sido um espelho dessa mudança. Os filmes refletem esse novo movimento por igualdade de gênero. As mulheres não estão mais submissas, não somos objetos. E os homens estão se dando conta de que só terão a ganhar sendo parceiros nesse processo.” 

No filme, Arlequina tem aquele porrete com que bate e arrebenta. Como foram as cenas de ação? “Dão trabalho, exigem muita preparação física, mas são divertidas. Batemos como mulheres empoderadas, não como homens.”

Ainda o trailer - Margot tem seu momento Marilyn Monroe. Glamour e sensualidade. “Você viu?” A diretora explicou ao repórter que tem tudo a ver com a trama. “Marilyn cantava que os diamantes são os melhores amigos das mulheres, e os diamantes são parte decisiva da nossa trama, o que tornou legítima a referência.” E como foi para Margot esse momento Marilyn? “Também exigiu preparação, uma coreografia especial. Fiz com gosto. Marilyn é um ícone.” E Arlequina? “Não sei por que as pessoas gostam tanto dela.” O repórter explica - por sua causa, Margot.

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