A política, em termos

Estamos em contagem regressiva para o Oscar. No domingo, a Academia de Hollywood faz sua grande festa e distribui o prêmio mais cobiçado do cinema. OK, existem a Palma de Ouro, o Leão de Ouro, o Urso de Ouro, e o César, o Bafta, o Goya e não importa mais quantos prêmios, em todo o mundo. O Oscar é soberano. Críticos adoram falar mal da indústria norte-americana e o Oscar marca o reconhecimento da indústria hegemônica aos seus melhores. Cria-se uma espécie de paradoxo - como desejar aquilo que também se contesta?

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2013 | 02h11

Estreia amanhã o último dos nove filmes que concorrem à estatueta na categoria principal - Indomável Sonhadora iniciou em Cannes, no ano passado, sua carreira internacional. Produção pequena e independente, ganhou o prêmio da mostra Un Certain Regard e agora concorre ao Oscar com quatro indicações. Melhor filme, diretor (Benh Zeitlin), atriz (Quvenzhané Wallis) e roteiro. A lista está completa e os nove filmes estão em cartaz na cidade (e no País). É uma lista e tanto - filmes grandes, pequenos, estrangeiros.

A abordagem mais óbvia - e não despropositada - consiste em apontar o Oscar de 2013, no início do segundo mandato de Barack Obama na Casa Branca, como essencialmente político. Pelo menos quatro filmes confrontam os EUA com seu passado histórico - Lincoln, de Steven Spielberg, e Django Livre, de Quentin Tarantino - e o recente - A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow, e Argo, de Ben Affleck. O Oscar mais político corresponde a menos da metade dos concorrentes. Completam a lista desde energéticos - O Lado Bom da Vida, de David O. Russell - até obras misantrópicas como Amor, de Michael Haneke. Fantasia? Tem - As Aventuras de Pi, de Ang Lee. Musical? Les Misérables, de Tom Hooper. Independente? Indomável Sonhadora.

O Oscar expõe a diversidade da produção de Hollywood. Proporcionalmente, a lista de 2006, com cinco filmes apenas, era mais política - Munique, de Spielberg; Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney; Capote, de Bennett Miller; O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee; e Crash - No Limite, de Paul Haggis (o vencedor). Munique fechou a trilogia informal de Spielberg sobre o 11 de Setembro e, naquele ano, havia, entre os concorrentes a melhor filme estrangeiro, o seu contraponto perfeito - o palestino Paradise Now, de Hany Abu-Assad. Este ano, para ser realmente político, o Oscar de filme estrangeiro deveria ter abrigado o marroquino Les Chevaux de Dieux, de Nabil Ayouch, contraponto a A Hora Mais Escura. Ayouch ficou fora, Bigelow não foi indicada como diretora. A disputa está embolada. Oscar político? Em termos. Oscar de bons filmes? Definitivamente, sim. / L.C.M.

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