A poética do urbano em visões sobre São Paulo

Quando recebeu da Secretaria Municipal de Cultura o pedido para organizar uma exposição na Galeria Olido como parte das comemorações do atual aniversário de São Paulo, a diretora da Divisão de Artes Plásticas do Centro Cultural São Paulo (CCSP), Inês Raphaelian, pensou aproveitar a ocasião para fazer mais do que homenagem. Pediu aos 21 artistas selecionados que doassem suas obras presentes na mostra para o acervo da Pinacoteca Municipal, abrigado no CCSP. A Cidade para a Cidade, aberta na Galeria Olido, é uma mostra diversificada, com trabalhos que gravitam na "poética do urbano", como diz Inês. Foi realizada às pressas, mas, mesmo assim, alguns dos artistas apresentam obras feitas especialmente para a exposição, como Regina Silveira com seu trabalho Derrapadas, a representação gráfica de violentas marcas de pneus que indicam ter sido feitas por carrinhos de madeira; a fotomontagem de Gerty Saruê; ou Tereza Salazar, que exibe o Céu de Janeiro, feito a partir da latitude da cidade. A Cidade para a Cidade também tem como característica reunir tanto artistas consagrados - não se pode deixar de registrar a presença de Carmela Gross, Antonio Lizárraga e da própria Regina Silveira - como de novatos - alguns nem tão novatos assim, mas vale citar Valérie Dantas Mota e Eduardo Verderame - e, dessa maneira, abrindo espaço expositivo para jovens criadores e ainda dando a oportunidade de incorporar seus trabalhos ao acervo da Pinacoteca Municipal, iniciado na década de 1940 pelo crítico Sergio Milliet (a coleção reúne desde obras de mestres do modernismo como Volpi, Tarsila e Goeldi como até as realizadas hoje). "Milliet sempre comprava obras de artistas jovens e o Centro Cultural São Paulo tem a vocação de arriscar", diz Inês Raphaelian - obrigatório lembrar que a instituição é responsável por realizar todos os anos seu Programa de Exposições, já um marco para muitos jovens artistas adentrarem no fechado circuito de mostras na cidade. Segundo a diretora da área de artes plásticas do CCSP, o nome do acervo da Pinacoteca Municipal será mudado para Coleção de Arte da Cidade de São Paulo para evitar confusões em relação à Pinacoteca do Estado. Muitas das obras presentes na mostra A Cidade para a Cidade são fotografias - usam dessa mídia Caio Reisewitz, João Musa, Monica Nador e Rochelle Costi, por exemplo. É, como diz Inês, inevitável, uma ainda tendência, mas, segundo ela, não há nenhum tipo de preconceito sobre meios para a formação da Coleção de Arte. "O acervo é feito na maior parte por obras de papel", constata a diretora. No CCSP a Sala Tarsila do Amaral é dedicada a exposições com obras da coleção - a próxima ocorrerá em março, com obras doadas pela viúva do artista Anatol Wladyslaw (1913-2004). Além do espaço do próprio CCSP, a instituição também está responsável pelas exposições na Galeria Olido e também na passarela subterrânea da Rua da Consolação. A Cidade para a CidadeGaleria Olido. R. São João, 473, Centro, 3334-0001. 12h/21h30 (dom., até 19h30. fecha 2.ª). Grátis. Até 24/2

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