A pintura enigmática de Marina Saleme

Marina Saleme investiga umasérie de questões formais da pintura, criando superfíciesbastante enigmáticas, que ora parecem apenas campos de cor egestos subjetivos e em outros momentos remetem a elementos sutis mais identificáveis, do mundo concreto. Como resume Juliana Monachesi em texto a serpublicado em um livro sobre a artista, "Marina Saleme diluiu apintura em um mar de dúvidas". As telas expostas sob o título Sem-Chão, na Galeria Luisa Strina, em sua primeira exposiçãocomercial na cidade desde 1997, são intrigantes. A maioria delasnos remete à idéia de paisagem. Retratam céus, nuvens,planícies. Sugerem campos ou vestígios de uma arquitetura quenão mais existe (Assento/Abismo). Elas parecem, no entanto,estar invertidas. É o céu que representa a massa mais densa enão a terra. O centro (físico e temático) é o ar, que sustentaessa pesada, inalcançável e misteriosa abóbada. Essa massa, quepode ter a densidade de um azul noturno, o caráter lúgubre de umcinza e a sedução de um rosa púrpura, parece sempre traduzir umacerta angústia diante do desconhecido. Mesmo quando agrega elementos escultóricos - como fezrecentemente em instalação mostrada no Paço das Artes -, elacontinua interessada na relação entre o olho e a superfície dapintura. "O olhar que me interessa é sempre o olhar frontal",afirma Marina, uma das figuras de destaque dessa geração queresolveu resgatar a pintura como forma de expressão artísticainovadora e contemporânea. É exatamente esse aprendizado doolhar que ela procura estimular no curso de processo criativoque dá no Instituto Tomie Ohtake. A intenção, segundo ela, éfazer as angústias e questões virem à tona.Serviço: "Marina Saleme" - De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado das 10 às 17 horas. Galeria Luisa Strina. Rua Oscar Freire, 502 tel. (011) 3088-2471. Até 2/4. Abertura hoje, às 19horas.

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