A perturbadora produção das Filipinas

Há cerca de 40 anos, o então presidente da França, marechal De Gaulle, provocou polêmica ao declarar que o Brasil não era um país sério ("sérieux"). Pode-se retribuir a afirmação. Cahiers du Cinéma não é uma publicação séria. No ano passado, a revista, em sua edição de junho, avaliando o Festival de Cannes, disse que Independência, de Raya Martin, havia sido a obra a reter de todas as seções do evento. Um ano depois, Independência estreou em Paris (em maio) e Cahiers, no quadro de outro Festival de Cannes, despachou Raya Martin com um par de linhas, rotulando seu filme como "formalista".

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Independência integra a mostra Descobrindo o Cinema Filipino, que começou ontem - e vai até dia 27 - no CCBB. O filme de Raya Martin é deslumbrante. De forma estilizada, e por meio de quadros encenados numa floresta de estúdio, o cineasta conta a história de uma família - mãe e filho -, e por meio deles é a própria história do país que o cineasta consegue condensar. O próprio Raya Martin assina Longa Vida ao Cinema Filipino, documentário cujo título bem poderia resumir o próprio sentido dessa programação.

Durante anos, as Filipinas viveram sob a ditadura de Ferdinand Marcus, cuja mulher, Imelda, ficou famosa por seus milhares de pares de sapatos. Nas Filipinas, Francis Ford Coppola filmou Apocalypse Now, criando um novo Vietnã quase tão real quanto o de sua ficção. A figura histórica dessa cinematografia é Lino Brocka, espécie de neorrealista sem miserabilismo e com heroínas fortes. O enfant terrible é Brillante Mendoza, premiado em Cannes, no ano passado, com o transgressor Kinatay. Ambos têm filmes na mostra do CCBB.

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