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A persistência das franjinhas

À beira dos 20 anos, o emo gera transgênicos como Hey Monday e Never Shout Never

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2011 | 00h00

Completando 20 anos de existência no ano que vem, o emo mudou para sobreviver. Ficou colorido (transmutou-se no chamado "happy rock"), abraçou o folk e o indie, mas continua usando franjinha e forjando seus subprodutos. Algumas das mais bem sucedidas bandas brasileiras (como NX Zero, Fresno, Cine, Hori e Restart) são derivadas diretas. O Restart, além de ser um dos maiores vendedores de discos do País, terá um filme de longa-metragem a seu respeito (dirigido por Heitor Dhalia) e prepara sua biografia (no ano passado, ganhou praticamente todos os prêmios importantes do VMA, da MTV).

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Todo mês desembarcam por aqui os novos exemplares; no dia 27, às 22h, o Via Funchal apresenta uma sessão dupla com dois herdeiros deles: Hey Monday e Never Shout Never (codinome sob o qual se abriga o garoto cristão e vegetariano chamado Christofer Drew Ingle, de 19 anos).

A invenção do emocore tem uma data reconhecida historicamente: foi em 1992, em Seattle, quando a banda Sunny Day Real State, liderada pelo "intenso" vocalista Jeremy Enigk, lançou seu primeiro álbum. Daí em diante, foi tão abraçado quanto combatido - ao ponto de gerar um tipo de preconceito meio violento.

A jovem cantora Cassadee Pope, de 22 anos, única garota do Hey Monday, que toca essa semana em São Paulo, tornou-se rapidamente um modelo para as fãs, que imitam seu cabelo e suas roupas (ela tem contrato com a grife Glamour Kills). Cassadee vive com a mãe, que é divorciada, e a única irmã, em Palm Beach, na Flórida. Sua grande inspiração foi uma banda emo, Fall out Boy, que ela julga "mais alternativa do que a gente", conforme definiu, em entrevista ao Estado.

"O punk rock é respeitável, mas não tem a ver com o que a gente faz", afirma. Segundo Cassadee, a intensidade emocional de suas canções não têm a ver com o emocore, é apenas um resultado dos temas. "Candles, a primeira canção do nosso primeiro disco, trata apenas de um típico final de relacionamento. Foi uma canção que compus depois de terminar um namoro, que acabou de um jeito não muito civilizado e partiu meu coração. É uma canção curativa", define.

"Muitas vezes nos definem como "punk pop", mas isso não tem a ver com a gente. Somos pop", reitera a cantora, alvo de capas de revistas como Seventeen e outras. Sobre o fato de ter se tornado uma referência fashion, ela se mostra humilde. "É esquisito, porque eu cresci fazendo minhas coisas, inventando meu guarda-roupas, e ainda estou crescendo e mudando. Adoro camisetas e jeans, tênis Vans. Quando vejo fãs usando o mesmo cabelo, as mesmas roupas, é claro que fico orgulhosa. Eu só tento trazer tudo que eu sou para o palco, não fingir. Canto como se estivesse orando. E dou o meu melhor".

Tocando ukele e fazendo um folk fofinho, embora oriundo do rude Missouri, Christofer Drew é um ídolo da corrente neofranjinha. Outro dia, contam, deu o celular para uma sem-teto de 45 anos que cruzou seu caminho após um show. Lê filosofia oriental e diz imitar o estilo "não tô nem aí" de seu ídolo, Dylan. É o que Dylan seria se tivesse crescido nas danceterias da Vila Olïmpia. "Gosto de ir até a Waffle House para ler, tomar café e fumar. Estou tentando ser artístico", disse o músico à Rolling Stone. Tornou-se um fenômeno na internet em 2007, aos 17 anos.

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