A Pauliceia de Marcelo Jeneci

Depois de uma década acompanhando grandes nomes da MPB como Chico César, Arnaldo Antunes e Elza Soares, o pianista e acordeonista Marcelo Jeneci resolveu atacar de cantor em carreira solo. Lançou, no fim do ano passado, Feito para Acabar, disco que consta em diversas listas de melhores do ano e sintetiza linguagens pop como o iê-iê-iê da Jovem Guarda e a canção romântica nordestina mais conhecida como o "brega". São influências que figuram nas criações mais relevantes da cena paulistana ultimamente: o iê-iê-iê de Arnaldo Antunes e o brega que colore as canções de Fernando Catatau em seu Cidadão Instigado. Para o disco, o paulistano nascido no reduto nordestino de Guaianases foi buscar a sonoridade do álbum Carlos, Erasmo, de 1971, recrutando para isso o produtor Arthur Verocai, uma referência para a vanguarda da cidade. Para muitos, Feito para Acabar reforça a tese de que São Paulo ainda é o polo musical brasileiro mais criativo deste início de século.

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