A partir de hoje, o MIS é novamente o MIS

Com um rico acervo de imagens de cinema e televisão, São Paulo ganhou o Museu da Imagem e do Som (MIS) em 1970, destinado a abrigar desde fotografias e programas de televisão a depoimentos de gente ligada aquelas áreas e material fonográfico. Ao longo dos anos, a instituição foi se expandindo, mas convivendo sempre com a falta de verbas para melhorar sua infra-estrutura e cumprir sua vocação: levar ao público as lembranças, imagens e sons que povoaram as mídias brasileiras. Há quase dois anos, o MIS começou uma grande reforma, destinada a melhorar sua área de visitação e trocar a fiação da parte elétrica. Depois de inúmeras interrupções, finalmente ele abre as portas para o público com uma vasta programação.Uma das mais importantes diz respeito à telinha. Trata-se da mostra Televisão Paulista: 1965-2000, que, segundo o diretor do MIS, o crítico de cinema Amir Labaki, irá traçar um paralelo entre a instituição e produção televisiva do Estado. Para o público, será a oportunidade de ver programas inesquecíveis, como a série infantil Vila Sésamo, TV Mulher, em que participava a prefeita Marta Suplicy, que na época falava de sexo, e ótimos programas de entrevistas como o Vox Populi, um bate papo com figuras importantes do calibre de Gilberto Freire, Chico Buarque, Nelson Rodrigues e Cartola, entre outros.Da telona, um dos destaques é a exibição do longa O Saci, de Rodolfo Nanni, que comemora meio século de pioneirismo ao mostrar, em uma produção cinematográfica, o universo infantil de Monteiro Lobato. A fotografia também foi lembrada com a exposição Nas Lentes de O Cruzeiro, os Dois Brasis de Henri Ballot. A mostra trará fotos de Ballot para as páginas da revista que revolucionou o gênero no País, e que circulou entre as décadas de 20 e 70 do século passado. Os dois países do título da exposição se referem às fotos realizadas por Ballot de índios na reserva indígena do Xingu e do vertiginoso crescimento de São Paulo.Lembrando sua proposta de abrir espaços para outras mídias, o MIS vai exibir a videoinstalação Versus, de Tadeu Jungle, que enfoca a cultura de massa ao colocar, em paredes opostas, torcidas de times rivais. Mas a grande e boa surpresa desta "reinauguração" do Museu da Imagem e do Som está ligado a um dos nomes mais importantes da música popular de São Paulo: Adoniran Barbosa. O MIS passou a ser a instituição que abrigará o acervo do compositor, que estava se deteriorando em uma secretaria municipal. Para homenageá-lo, também haverá um show, na quinta-feira. Em Cantando Adoniran, Max de Castro, Vanessa da Mata e o grupo que mais popularizou o repertório do sambista do Bexiga, Os Demônios da Garoa.Toda a programação do MIS tem entrada gratuita. O museu fica na Avenida Europa, 158, no Jardim Europa. Para saber mais informação basta ligar no telefone 3062-9197.

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