A paixão de Eva pelo flamenco

Coreógrafa alemã criada na Espanha mostra seu novo espetáculo em apresentação única na cidade hoje

Helena Katz, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2010 | 00h00

O site (www.evayerbabuena.com) não registra nenhum espetáculo com o nome do que estreia hoje, às 21 h, em São Paulo. Pasión Flamenca pode ter sido especialmente montada para a sua quinta turnê brasileira, que celebra os 12 anos da companhia que Eva Yerbabuena criou em 1998. Estreou ontem em Belo Horizonte e de São Paulo segue para Brasília (amanhã), Curitiba (domingo), Rio (segunda), e Porto Alegre (dia 13).

Pasión Flamenca junta sete coreografias - Barro, La Viña y Santiago, Quiero y no Quiero, Luisito Franco, Lluvia de Sal, A Galera e Llanto -, assemelhando-se, em termos de estrutura, ao Santo y Seña que dançou no Municipal de São Paulo em 2008. Remete ao tipo de espetáculo que o jargão chama de "fogos de artifício", obras que nascem de uma colagem, na qual o que mais conta não é a dramaturgia, mas o virtuosismo técnico. E nesse quesito Yerbabuena não costuma decepcionar.

Eva Maria Garrido Garcia nasceu em Frankfurt, na Alemanha, e com duas semanas seus pais a levam para Granada. Começou na dança aos 12 anos, em 1982. Estudou em Sevilha com Juan Furest e Jesús Domínguez, fez aulas com Johannes García, em Cuba, e estreou profissionalmente na Cia. Rafael Aguilar (1985). Dançou com o grupo de Paco Moyano e, em 1988, criou a sua própria companhia, que hoje se compõe de sete dançarinos e oito músicos. No Brasil, os músicos serão Enrique Soto, Pepe de Pura e Jeromo Segura (vocais), Raul Dominguez (percussão), Ignacio Vidaechea (saxofone e flauta), Manuel de La Luz e Paco Jarana (guitarras). Desde 1999, Jaranas, seu marido, compõe as músicas de todos os espetáculos.

Sua primeira produção foi realizada para a Bienal de Sevilha e batizada com seu nome, Eva. Depois vieram 5 Mujeres 5 (2000), La Voz del Silencio (2002), A Cuatro Voces (2004), El Huso de la Memoria (2006) e Santo y Seña (2007). Tem vasta coleção de prêmios, em que se destacam o Flamenco Hoy (1999, 2000, 2001), Nacional de Danza (2001), Time Out (2003) e Medalha de Andaluzia (2007). Atuou duas vezes em cinema, dirigida por Mike Figgis: Flamenco Women (1997) e Hotel (2001).

Não se cansa de repetir que na sua dança não há nada para entender, mas sim, para sentir, e que o flamenco não precisa de narração, pois é expressivo em si mesmo. Um de seus traços marcantes é seu sapateado exuberante, que sempre entusiasma as plateias. E a segurança dos seus giros e dos desenhos que faz com os braços as subjuga. Em todos os cantos onde se apresenta, Yerbabuena arrebata, com seus números que misturam o flamenco tradicional com suas contribuições modernas. Por isso, vibrante e elegante costumam ser os adjetivos mais associados ao que faz.

EVA YERBABUENA

Teatro Bradesco (1.457 lug.). R. Turiassu, 2.100, 3670-4141, 3º andar do Bourbon Shopping. 4ª (5), 21h. R$ 60/R$ 200.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.