A outra arte de Kubrick

Mostra revela o futuro cineasta, então com 17 anos, em seu ofício de fotógrafo da revista Look

Luiz Zanin Oricchio,

03 de outubro de 2010 | 00h09

Em 1945 um rapaz de 17 anos levou uma foto à revista Look. Era a imagem da reação do dono de uma banca de jornais diante da notícia da morte de Roosevelt. A revista a comprou por US$ 25 e a publicou no dia 26 de junho de 1945. No ano seguinte, o jovem foi contratado e, a serviço da Look, bateu cerca de 12 mil fotos durante cinco anos. A exposição no Palazzo Cavalli Franchetti, à beira do Canal Grande em Veneza, reúne 200 dessas imagens. São magníficas. O nome do aprendiz de fotógrafo? Stanley Kubrick, que passaria anos lidando com imagens paradas antes de colocá-las em movimento e tornar-se o cineasta genial que conhecemos.

A mostra fica em Veneza até 14 de novembro, e é dividida em seções temáticas. Os blocos fazem um painel multifacetado dos EUA no pós-guerra, mas vão além da fronteira americana. Vão a Nazaré, vilarejo à beira-mar em Portugal. Há dois personagens principais nessa série - um casal americano em férias, acompanhados pelas lentes do fotógrafo. Mas é como se eles, de protagonistas, passassem a coadjuvantes diante das imagens que o artista vê. Surgem então os pescadores pobres, mulheres na lida diária, crianças puxando a rede de pesca. O assunto se impõe ao fotógrafo e ele o registra. E o faz com grande respeito pela população e seus costumes. Ressaltar a dignidade humana era o principal dever de um repórter fotográfico, segundo Henri Cartier-Bresson, o mestre de todos.

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