A ousadia do jovem pianista chinês He Yue

Repertório do disco 'Cortot Arrangements' traz os arranjos e transcrições do músico suíço de modo interessante

JOÃO MARCOS COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2013 | 02h13

O pianista chinês He Yue, de 23 anos, escolheu um repertório completamente diferente para se lançar no superpovoado reino dos pianistas: os arranjos e transcrições de Alfred Cortot, um dos míticos pianistas da primeira metade do século 20. Agrupou estas peças, hoje totalmente esquecidas, no CD Cortot Arrangements (US$ 9,99 no iTunes).

Pelas ousadias de Cortot e a boa qualidade da execução de Yue, vale a pena conhecer um pouco a história do célebre pianista suíço nascido em 1877. Entre 1898 e 1901, foi regente coral no Festival de Bayreuth, e participou da première de O Crepúsculo dos Deuses, de Wagner, em Paris, em 1902. Em 1905, fundou um lendário trio com o violinista Jacques Thibaud e o violoncelista Pablo Casals. Atuaram juntos por quarenta anos. Sua adesão ao governo de Vichy, instalado na França ocupada pelos nazistas, na 2.ª Guerra, manchou sua reputação. Ele foi garoto-propaganda convicto do regime controlado pela Alemanha nazista. Em represália, terminada a guerra, foi proibido de tocar na França durante um ano. Cortot retornou a Lausanne, na Suíça. Retomou pouco a pouco sua carreira, e lá morreu em 1962, aos 85 anos.

Os arranjos variados para piano solo que He Yue toca neste CD nasceram com propósitos pedagógicos, mas se sustentam em sentido absoluto. Não é só ousado, mas interessantíssimo, o arranjo para piano solo da célebre sonata para violino e piano em lá maior de César Franck. Não dá para esquecer o violino ausente; mas a sonata se sustenta, se você limpar os ouvidos.

A sonata fecha o CD. Mas ele começa de modo igualmente suculento, com uma versão para piano solo da divertidíssima Dolly Suíte, opus 56, de Gabriel Fauré, original para piano a quatro mãos.

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