A Olimpíada que o mundo quer esquecer

Convencido de que a Grécia antiga devia sua glória, em grande parte, à cultura física e às competições esportivas, o educador francês Pierre de Fredi, o Barão de Coubertin, iniciou uma campanha pela restauração dos Jogos Olímpicos. Dois anos após o lançamento da idéia e a fundação do Comitê Olímpico Internacional (COI), realizaram-se, em 1896, os primeiros Jogos da era moderna, com a participação de 23 países e 285 atletas.Desde sua primeira edição, portanto, Olimpíada lembra saúde, força, determinação, vontade de vencer. Uma delas, no entanto, ficará sempre na nossa lembrança por uma razão tão distante do ideal olímpico quanto o Brasil fica longe de Sydney, na Austrália, sede dos jogos do ano 2000, que começam na próxima semana: a de 1972, em Munique, na Alemanha, assombrada pelo tenebroso atentado do grupo terrorista palestino Setembro Negro contra atletas israelenses na Vila Olímpica.Uma ferida particularmente dolorosa, na medida em que Munique poderia estar na história olímpica por um recorde até hoje não superado: as sete medalhas de ouro do incomparável nadador norte-americano Mark Spitz, o primeiro - e até agora o único - atleta a levar tanto ouro para casa. Mas o brilho da Olimpíada alemã foi ofuscado por oito homens vestidos como atletas, que entraram sem ser incomodados na Vila Olímpica. Eram terroristas disfarçados. que se dirigiram à ala onde estava a delegação israelense. No assalto, de cara, dois atletas israelenses foram mortos. Depois de uma longa e desgastante negociação entre o governo alemão e os terroristas da facção palestina Setembro Negro, nove reféns e seus algozes foram transportados para o aeroporto da cidade. Ali, em uma operação desastrosa, atiradores de elite da polícia de Munique abriram fogo. No tiroteio que se seguiu, um policial alemão, cinco terroristas e todos os reféns foram mortos. A ação terrorista é tema do longa-metragem inéditos Um Dia em Setembro, que o GNT exibe domingo, às 20 h, na semana de abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália. Com narração original do ator Michael Douglas, o documentário será exibido simultaneamente em outros canais pelo mundo, como o HBO nos Estados Unidos, a RAI na Itália, a BBC de Londres, a ARD da Alemanha e a Artuz 2 de Israel.Vencedor do Oscar 2000 na categoria, o documentário, com duas horas de duração, dirigido por Kevin McDonald, conta essa história a partir de depoimentos dos sobreviventes, testemunhas e até de um dos terroristas. A produção do documentário é de Arthur Cohn, o mesmo do filme Central do Brasil, de Walter Salles Jr. Foi o terceiro Oscar da carreira do produtor, que já havia levado a estatueta por American Dream, em 1990, e Sky above and mud beneath, de 1961.

Agencia Estado,

08 de setembro de 2000 | 12h09

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