A obra-prima doente de Hitchcock

Johnny & Clyde: Uma Dupla do Barulho

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

14H15 NO SBT

(Johnny & Clyde). EUA, 1995. Direção de Willian Bindley, com Michael Rooker, Johnny White, Sam Malkin, Diana Reis.

Johnny, filho de policial, acolhe cão sem dono que encontrou nas ruas, sem saber que o animal foi treinado por ladrão para ajudá-lo em seus crimes. O ponto de partida é interessante, Michael Rooker é bom ator, embora marcado pela truculência que o tem circunscrito aos papéis de durão ou criminoso. Reprise, colorido, 93 min.

Intercine

3H20 NA GLOBO

A emissora exibe o preferido do público entre Táxi, de Gérard Pirès, primeiro da série com Samy Naceri como motorista de ascendência árabe, que se mete em todo tipo de confusão no trânsito; Marion Cotillard, a Piaf, na fase pré-Oscar, é atração do filme que arrebentou nas bilheterias da França; e Anaconda, de Luis Llosa, com Eric Stoltz, Jennnifer Lopez, Jon Voight, Ice Cube, Jonathan Hyde e Owen Wilson, sobre grupo de documentaristas que viaja pelo Amazonas, em busca de imagens da vida natural, e topa com cobra gigantesca, capaz de engolir um homem.

Amanhã

A Globo exibe amanhã, no Intercine, o preferido do público entre ? Legionário, de Peter MacDonald, filme de ação à moda antiga, com Jean-Claude Van Damme como homem que desafia chefão do crime em Marselha e foge para o Marrocos, integrando-se à Legião Estrangeira (EUA, 1998, fone 0800-70-9011); e Alta Fidelidade, de Stephen Frears, adaptado do livro de Nick Hornby, que originalmente se passa em Londres; agora, em Chicago, John Cusack, que possui uma lojas de discos antigos, reflete sobre suas difíceis relações amorosas; Catherine Zeta-Jones, Lisa Bonet, Jack Black e Bruce Springsteen estão no elenco (EUA, 2000, fone 0800-70-9012).

TV Paga

Marnie, As Confissões de Uma Ladra

19H35 NO TELECINE CULT

(Marnie). EUA, 1964. Direção de Alfred Hitchcock, com Tippi Hedren, Sean Connery, Diane Baker, martin Gabel, Louise Latham.

A obra-prima doente de Hitchcock, como a definiu François Truffaut, recebeu duras críticas na época do lançamento, mas, com o tempo, adquiriu reconhecimento como o grande filme que é. Tippi Hedren faz uma mulher sexualmente frígida, em decorrência de um trauma de infância. Ela é cleptomaníaca como forma de compensação. Sean Connery faz seu empregador e, depois, marido, que tenta entender o que se passa (para libertá-la). Com as chaves de Freud, o cartaz do Telecine Cult fica muito mais rico e complexo. Independentemente de psicanálise, é um belíssimo filme, mas triste, o que talvez explique seu fracasso, há quase 50 anos. Reprise, colorido, 91min.

Sansão e Dalila

1H10 NO TCM

(Samson and Delilah). EUA, 1949. Direção de Cecil B. de Mille, com Victor Mature, Hedy Lasmarr, George Sanders, Angela Lansbury, Henry Wilcoxon, Russell (Russ) Tamblyn.

De Mille sempre foi criticado por seus épicos bíblicos, que seriam carnavalescos e superficiais, além de sensacionalistas ? uma espécie de Bíblia com sexo ?, mas este é muito bom. A conhecida história de amor e traição ganha outra dimensão. Sansão é o homem mais forte da Palestina governada pelos filisteus. Quando ele recusa os encantos de Dalila, ela, qual pantera amorosa, investiga o segredo de sua força, que está nos cabelos. A trama possui elementos psicanalíticos ? cortar o cabelo vira signo de castração, ou impotência ?, mas é o romance que é irresistível, resistindo a tudo, até às cafonas luta do herói com o leão. Reprise, colorido, 128 min.

Three Times

1H55 NO TELECINE CULT

(Zui Hao De Shi Guang). Hong Kong/França, 2005. Direção de Hou Hsiao-hsien, com Qi Shu, Chen Chang, Fang Mei, Su-jen Liao.

Três histórias desenroladas em 1911, 1966 e 2005 ? e interpretadas pelos mesmos atores. Amor platônico, amor impossível e amor sensual, ou sexual. Para ilustra esses sentimentos, o diretor de Taiwan Hou Hsiao-hsien conta histórias de casais, o mesmo casal?, em diferentes épocas e situações. Um soldado procura sua amada; uma cantora tentas fugir à sua realidade asfixiante; e uma ruptura leva uma das partes a sofrer intensamente (mais que a outra). Um filme de rara beleza ? o primeiro episódio é uma obra-prima ? de um autor que não é tão conhecido dos cinéfilos brasileiros quanto deveria ou mereceria. Reprise, colorido, 129 min.

O Monge e a Filha do Carrasco

2H20 NO CANAL BRASIL

Brasil, 1966. Direção de Walter Lima Jr., com José Lewgoy, Rubens De Falco, Patrícia, Murilo Benício, Karina Barum, Eduardo Conde.

Adaptação do livro de Ambrose Pierce que Lima Jr. realizou como trabalho de encomenda, em inglês. Mostra o monge do título dividido entre a vocação religiosa e seu desejo pela filha do carrasco. Embora o filme não disponha de muito boa reputação, exibe, em momentos isolados, o panteísmo do diretor e por isso merece ser visto. Reprise, colorido, 96 min.

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