Mario Sorrenti/Divulgação
Mario Sorrenti/Divulgação

A nudez de Isabeli Fontana

Top model brasileira tirou a roupa na frente das câmeras pela primeira vez em 14 anos de carreira

Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo,

11 de dezembro de 2011 | 07h00

No início, os músculos travaram: os braços pareciam presos ao corpo, como se o escondessem. O relaxamento veio aos poucos, à medida que crescia a confiança. "Em pouco tempo, eu estava tão à vontade que nem percebi estar no alto de uma pedra", diverte-se Isabeli Fontana, abrindo um sorriso luminoso. Foi assim, como se cometesse uma peraltice, que a top model brasileira se recordou do momento em que posou nua pela primeira vez em 14 anos de carreira. O responsável foi o fotógrafo italiano radicado em Nova York Mario Sorrenti, que clicou Isabeli e outras 11 belas mulheres para a versão 2012 do Calendário Pirelli, icônico objeto de desejo que a empresa italiana criou em 1964 e que, desde então, tornou-se item de colecionadores.

O calendário foi lançado em Nova York na terça-feira, em uma grande festa no The Armory, edifício militar do início do século 19 e hoje um monumento histórico. Apresentada pela atriz Julianne Moore, a cerimônia foi prestigiada por personalidades (como o ator Adrien Brody e o estilista Valentino) e contou com um show surpresa do cantor Andrea Bocelli. A badalação contrastava com o clima bucólico que marcou a sessão de fotos de Sorrenti, revelada em um making of exibido na festa.

Estrela da fotografia de moda e autor de imagens que integram importantes coleções públicas e privadas, Sorrenti escolheu a Córsega e suas paisagens selvagens para dar vida ao swoon, título de seu ensaio que, aqui, pode ser traduzido como o êxtase capturado pelas imagens. "Foi uma decisão estratégica, pois eu precisava de um lugar com clima agradável e que oferecesse mar e montanha, pedras e árvores", contou ele ao Estado. "E a Córsega revelou-se surpreendente."

O homem que se esconde por trás de um enorme par de óculos de aros negros é extremamente gentil. Voz aveludada, com vaga lembrança aos graves de George Clooney, Sorrenti observa o interlocutor com atenção e, ao comentar sobre seu trabalho, abre um sorriso que brinca em torno das bordas de sua boca, ameaçando materializar-se diante da mínima provocação. Quando finalmente se espalha por seu rosto, lenta e tranquilamente, transforma esse italiano basicamente normal em um homem encantador.

Foi esse tipo peculiar de sedução que encantou o grupo de modelos e atrizes, disposto a se despir diante de suas lentes. "O trabalho de Mario é como uma peça de arte, portanto, o nu insere-se nessa arte", explica Isabeli, que se tornou a recordista em participações nos calendários da Pirelli (soma, agora, quatro). "Ele é muito afetuoso e, como já foi modelo, irradia uma tranquilidade e confiança que nos conquistaram", completa a italiana Margareth Madè.

Filho de um pintor que retratava mulheres nuas, Sorrenti tornou-se famoso pelas imagens de nudez justamente por considerar a exibição fotográfica da pele como a máxima aproximação da expressão artística. "Sempre compartilhei o trabalho com as modelos, esperando que entendam a filosofia e, principalmente, que se sintam à vontade." Por conta disso, ele atendeu aos pedidos das moças, como reduzir a equipe durante as fotos para criar um ambiente íntimo.

Entre as clicadas na Córsega, em maio, estava uma famosa ex-namorada, Kate Moss - ele a fotografou para os anúncios do perfume Obsession, de Calvin Klein. O reencontro, Sorrenti comenta, foi belo. "Temos uma grande história em comum: foi graças a algumas imagens que fiz de Kate que me tornei famoso", conta. "Assim, o entendimento foi imediato. Ela compreende que, quando se tira a foto de alguém, é o mesmo que se comunicar sem palavras."

Das 25 imagens do calendário, 18 são em preto e branco. Sorrenti explica que buscou uma coerência na linguagem com angulações distintas e, por conta da dramaticidade expressa no preto e branco, preferiu variar o uso da cor. "Não queria colocar à força um estilo específico. Queria que a foto tivesse uma vida independente."

Sorrenti é o primeiro italiano a clicar para o Calendário Pirelli, criado em 1964, com os retratos de Robert Freeman em Mallorca. Desde então, nomes fulgurantes da fotografia mundial, como Annie Leibovitz e Mario Testino, aceitaram o convite para realizar o trabalho.

ENTREVISTA - ISABELI FONTANA

Como foi a experiência de posar nua pela primeira vez?

Foi desconfortável. Para que Mario conseguisse a imagem perfeita, era preciso que eu estivesse com os músculos relaxados. Mas, quando se está nua, tende a se esconder. Ele me deixou tranquila, dizendo que corrigiria todos os defeitos - sabe como é mulher, não gosta de nenhuma imperfeição. Foi complicado mas, no final, foi gratificante.

Você já sabia que estaria nua?

Sabia. Por isso, Mario escolheu uma pedra bem distante, para que ninguém visse. Mas isso não é comum. A Natasha (Poly), por exemplo, está acostumada a fotografar nua. Mas eu não, daí meu desejo de sair perfeita: não queria que aparecesse minha barriguinha de mãe de dois filhos, senão, depois, todo mundo cairia em cima (risos).

Qual foi a orientação que o Mario te deu?

Ele queria capturar uma pureza no meu olhar. Dizia: "Pensa que você é uma menina que está começando a viver." Ele pensa em detalhes.

Você pretende fotografar nua novamente?

Só para um trabalho artístico. E com fotógrafo de confiança.

QUEM É MARIO SORRENTI, FOTÓGRAFO DE MODA

Nasceu em Nápoles, em 1971, filho mais velho de um pintor e da ex-estilista e fotógrafa Francesca Sorrenti. Em Nova York desde os 10 anos, começou a colaborar com revistas dos EUA e Europa antes dos 20. Também dirige clipes para grandes marcas.

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