A nova safra italiana

Mostra recebe também filmes que fizeram história e se expande para a Mooca

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h12

"Muitos fazem filmes bonitinhos, alguns fazem filmes bons, mas fazer uma obra-prima, hoje me dia, é praticamente impossível", dizia um sábio Giancarlo Giannini em conversa com o Estado há poucos dias. O eterno Pasqualino Sete Belezas acabara de chegar a São Paulo, onde é homenageado pelo 8.º Festival Pirelli de Cinema Italiano, que este ano ocorre em quatro etapas. A primeira começa hoje, justamente com a exibição de Pasqualino Sete Belezas, às 9h30, na Faap, com entrada gratuita. Em seguida, Giannini participa de bate-papo com o público e conversa sobre o filme exibido (que rendeu indicação para o Oscar em 1977).

O festival, que exibe, além de 8 de seus mais de 100 filmes, traz ainda uma Mostra Contemporânea. Esta, sim, é a prova dos noves para se descobrir se a mais recente safra de filmes italianos se encaixa na lista dos 'bonitinhos', 'bons' ou 'obras-primas'. "Fazer o que Fellini, Scola e Visconti faziam é praticamente impossível, atualmente. Não só por questão de talento, mas também porque hoje é diferente a forma de se fazer cinema. Mas há muitos filmes bons, assim como ótimos talentos do novo cinema italiano. Mesmo que eu considere que precisamos aproveitar mais este potencial, há ótimos filmes e cada vez mais novas formas de se fazer cinema na Itália", ponderou o ator, que na mostra dedicada ao seu trabalho ainda terá Um Destino Insólito, Mimi - O Metalúrgico e Amor e Anarquia, todos de Wertmüller; Ciúme à Italiana, de Ettore Scola, O Inocente (de Luchino Visconti), Me Manda Picone (de Nanni Loy), O Mal Obscuro (de Mario Monicelli).

À noite, na Faap, Giannini recebe a homenagem durante a cerimônia de abertura do Festival - que conta com a exibição de um vídeo homenagem e, em seguida, traz para convidados Io e Te, recente filme de Bernardo Bertolucci.

O público tem a chance de conferir Io e Te somente no dia 8 de dezembro, às 19 horas, no Cinemark Shopping Iguatemi. "É uma das joias deste ano, além de César Deve Morrer, dos irmãos Taviani. O festival está crescendo e sendo cada vez mais reconhecido, o que faz com que consigamos trazer o melhor da atual safra", conta Erica Bernardini, curadora do festival e diretora de marketing da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura, realizadora do evento.

Erica explica que o festival este ano é composto de quatro momentos. O primeiro, a homenagem e retrospectiva a Giannini, que começa hoje. O segundo, a parte formativa, composta por workshops de profissionais com os alunos da Faap, mas aberta ao público, e vai até amanhã; e a terceira, a Mostra Contemporânea, com início dia 7 de dezembro e segue até dia 13, com sessões no Museu da Imagem e do Som, no Cinemark Iguatemi, Mooca e Shopping Paulista. "Este ano conseguimos abrir para mais um bairro, justamente um em que a comunidade italiana é grande, a Mooca. Além disso, conseguimos conquistar um público que, em geral, vai ao cinema para ver os blockbusters italianos. A comédia italiana vem passando por uma boa fase", continua Erica, que explica que a última parte do evento, de importância crucial, é a do comércio. "É colocar a delegação italiana que trazemos, composta também por produtores italianos, em contato com brasileiros. Não por acaso, houve, na segunda, a renovação o anúncio do protocolo para o Fundo de Coprodução Brasil-Itália."

De volta à programação, o evento traz 10 Regras para se Apaixonar, de Cristiano Bortone; O Comandante e a Cegonha, de Silvio Soldini; A Kriptonita na Bolsa, de Ivan Cotroneo; Mozzarella Stories, de Edoardo De Angelis; Em Pé no Paraíso, de Carlo Verdone; Romance de Um Massacre, de Marco Tullio Giordana; Os Primeiros da Lista, de Roan Johnson; Viva a Itália, de Massimiliano Bruno; O Vermelho e o Azul, de Giuseppe Piccion; A Copa Esquecida, de Lorenzo Garzell e Filippo Macelloni; e, Como É Belo Fazer Amor, de Fausto Brizzi.

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