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A nova parceria Denzel/Scott

Tony, irmão de Ridley, dirige o astro em Incontrolável, que se baseia numa história real

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2011 | 00h00

Na Hollywood clássica, produziram-se associações notáveis - John Wayne fez dezenas de filmes com John Ford, Howard Hawks e Henry Hathaway. A dupla Spencer Tracy/Katarine Hepburn fez cerca de uma dezena de filmes, a maioria com o mesmo diretor, George Cukor. E o que dizer dos westerns de James Stewart com o diretor Anthony Mann? Dos de Randolph Scott com Budd Boetticher? Mais recentemente, nos anos 1960/70, Clint Eastwood ligou-se ao diretor Don Siegel em seis filmes. Hoje em dia, nenhuma parceria é mais longeva do que a de Denzel Washington com Tony Scott. Depois de Maré Vermelha, em 1995, fizeram Chamas da Vingança, Déjà Vu e O Sequestro do Metrô.

A parceria prossegue em Incontrolável, que estreia hoje em salas de todo o Brasil. O cinema tem contado muita histórias de trens desgovernados e a mais notável talvez seja Expresso para o Inferno, que Andrei Konchalovski fez a partir de um roteiro abandonado de Akira Kurosawa. Expresso estabeleceu um padrão - dois fugitivos, um trem que escapa ao controle e a possibilidade de que mesmo homens que mais parecem feras terminem por revelar sua grandeza. Incontrolável é diferente e uma parte, senão toda essa diferença vem de uma informação que aparece à esquerda da tela, logo no começo.

"Based on a true story", baseado numa história real. Apesar da informação, o espectador fica o tempo todo com a impressão de que os roteiristas de Hollywood tiveram carta branca para liberar sua imaginação. As histórias reais muitas vezes, se não sempre, são as mais inacreditáveis, mas a sucessão de acidentes e de erros em Incontrolável beira o inacreditável. Logo no começo, define-se a situação básica que vai levar à dupla formada por Denzel Washington e Chris Pine. O veterano da estrada de ferro e o novato. Denzel tem 28 anos de profissão e cumpre o aviso prévio. É viúvo, tem duas filhas. Pine está chegando - é seu primeiro dia na ferrovia e ele é imediatamente malvisto.

Tem as costas quentes, familiares no sindicato e na firma. Está separado da mulher - e do filho, que só pode ver de longe, por decisão judicial que está sendo revista. Isso o deixa tenso, e preso ao celular. Pine - o jovem Kirk de Star Trek, de J.J. Abrams - começa errando, mas seu erro seria, talvez, desculpável, se outros não tivessem errado antes, e pior. Um maquinista sai do vagão depois de acionar, acidentalmente, o mecanismo que acelera um trem com excesso de vagões - e que carrega material tóxico e inflamável em muitos deles. Tudo vai dando errado - as decisões da empresa para resolver o problema, as tentativas de colocar alguém na cabine. Denzel e Pine, em outro trem, vão tentar resolver o problema - antes que o comboio chegue a determinada curva, num perímetro urbano, o que poderá provocar uma imensa tragédia.

Tony Scott, irmão de Ridley, tem fama de perfeccionista. César Charlone, que foi câmera para ele, queixou-se de que o diretor planeja nos mínimos detalhes a imagem que quer, e não deixa margem à participação criativa dos colaboradores. O roteiro, embora não inovador, é sólido. Os personagens, críveis. Os atores, convincentes. O suspense, não raro eletrizante. Mas há algo mais. Na maioria de seus filmes, não apenas os com Denzel Washington, mas também em Inimigo do Estado (com Will Smith) e Jogo de Espiões (com Robert Redford e Brad Pitt), Tony Scott tem tratado do choque entre o indivíduo e a instituição, aquilo que o Coronel Nascimento chama de "sistema". O sistema não liga para as pessoas. Descarta o profissional competente (Denzel), mas ele motiva o colega inexperiente, no trabalho e na vida. Incontrolável narra uma história de heroísmo, mas, para o diretor, o verdadeiro heroísmo do homem é manter o emprego e ganhar (o que Denzel e Pine logram) as mulheres.

INCONTROLÁVEL

Nome original: Unstoppable. Direção: Tony Scott. Gênero: Ação (EUA/2010, 99 minutos). Censura: 10 anos.

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