A nova geração de Dallas

Sucesso nos anos 80, série dramática retorna com mais conflitos, mas a música continua a mesma

FERNANDA BRAMBILLA , LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h08

Em tempos em que a intimidade dos ricos e famosos encontra vazão em Desperate Housewives e nas Kardashians, a série precursora das intrigas familiares e da exposição das mazelas da nata da sociedade está de volta, com o clã encrenqueiro por excelência.

Quando surgiu na TV no fim dos anos 70, Dallas oferecia uma vista privilegiada da América rica, avessa ao cenário real de escassez econômica. No foco, uma família igualmente glamourosa e disfuncional, no coração do Texas das fazendas opulentas e dos campos verdes a perder de vista, cavalos, esporas e chapelões. O novelão bem servido de inveja, cobiça, traição e briga por poder, trazia na figura de J.R. o patriarca desse ninho de serpentes.

Transportada para os dias atuais, a atração está de volta a partir de amanhã, no Warner Channel, às 22 horas, retomando a história da família Ewing e sua nova - e igualmente problemática - geração. O trio de ferro das antigas formado por Larry Hagman, o J.R., Linda Gray, como a dondoca Sue Ellen, sua mulher, e Patrick Duffy, o irmão e oposto Bobby, ainda é o pilar da trama, mas abre caminho para os filhos.

O duelo, agora, é protagonizado por dois jovens atores, Josh Henderson e Jesse Metcalfe, ambos conhecidos justamente por Desperate Housewives. Henderson é Josh Ross, filho do magnata, que volta ao rancho de Southfork e logo mostra ter herdado a ambição do pai, o faro para o petróleo, com a (des)vantagem do viço da juventude. Em contraposição a ele, está Christopher ( Metcalfe), o filho adotivo de Bobby, que também se mostra um espelho do bom-mocismo do pai, cheio de bons modos e um discurso a favor de energias renováveis.

Sem esconder a alegria de reviver o papel mais marcante de sua carreira, Patrick Duffy (Bobby Ewing) se apresentava a jornalistas na divulgação da série, em Los Angeles, como quem recebe visitas em casa. "Durante muitos anos esperei com ansiedade que a série fosse retomada. Mas as sugestões que surgiam eram sempre fracas, os roteiros, ruins. Larry (Hagman) e eu achávamos que isso nunca daria certo. E agora deu, o que é ótimo, já que daqui a pouco nós dois não estaremos mais aqui", brinca o ator, de 63 anos. "O que eu posso dizer? Fui eu quem criou o personagem Bobby. Ao menos 75% dele sou eu."

O roteiro de Cynthia Cidre, garante ele, foi cativante o suficiente para que logo chamasse Hagman e Linda Gray - "da antiga turma", como Duffy diz - para que levassem o projeto adiante. "Os temas de Dallas são atemporais e nunca perdem a atualidade como concentração de riquezas, economia frágil e todos os dramas inerentes à condição humana."

Linda Gray, que mantém a elegância da dissimulada Sue Ellen, lembra que o sucesso da atração, de certa forma, pôs os veteranos atores de escanteio, já que eles ficaram marcados pelos seus papéis e essa retomada serve agora também para colocá-los de novo em evidência. "Quando a série acabou, havia em nós um lastro muito forte dos personagens. Sempre nos diziam que a única possibilidade de trabalharmos juntos novamente seria se Dallas voltasse", conta a atriz. "É uma coisa muito louca fazer de novo um papel de 20 anos atrás. Felizmente, os produtores sabem que nós conhecemos esses personagens como ninguém. Não é um remake. Somos nós, anos mais tarde."

A seu lado, Brenda Strong (a narradora Mary Alice, também de Desperate Housewives) se junta aos veteranos como a nova esposa de Bobby, agora chamada Ann. E ela será, mais uma vez, uma mulher cheia de segredos.

Nos primeiros capítulos, vale dizer, a nova Dallas mostra que não voltou dos mortos sem antes receber um belo tapa de tecnologia e uma acelerada no ritmo. Quem assistia à série se lembra das cenas arrastadas de negociatas e salas de reunião; os diálogos agora ganharam velocidade, a câmera é ágil e há um novo frescor.

Nova geração. Tudo isso para receber quem realmente importa nessa retomada. Josh Henderson conta que o primeiro encontro com Hagman/J.R. foi simbólico. "Ele surgiu com seu chapéu e toda pompa. Pôs a mão no meu ombro e disse: 'Aproveite a jornada.' Eu não sei como ele fez isso, mas eu gelei", conta o ator, o John Ross. O poder dos Ewings arrebata os novatos do elenco. "J.R. é o vilão mais infame da história da TV. Ele redefiniu o conceito de chantagem. E John Ross, então, vai aos poucos mostrar do que é capaz", afirma Henderson.

O ator, de 30 anos, que é do Texas, lembra das tardes da infância com a família reunida em frente da TV. "Era uma tradição. Não se perdia um capítulo e quando começava, era um transe.

Jesse Metcalfe, de 33 anos, mocinho que fará frente ao primo, espera ir além do descamisado jardineiro que lhe deu fama. "Dallas foi um divisor de águas e estourou no mundo inteiro. Por si só, esse feito comprova a sua força. Agora, está mais afiado."

Há, ainda, as novas mocinhas que os acompanham e também, é claro, travarão as próprias brigas. Jordana Brewster, de 32 anos, a musa da franquia Velozes e Furiosos, é Elena, namorada de John Ross, que será alvo de disputa dos dois rapazes. "Confesso que, quando fiquei sabendo que fariam Dallas de novo, temi que fosse um remake. Mas fiquei aliviada em ver que não, mesmo porque seria impossível recriar essas histórias. Uma retomada, com uma nova geração, aí sim, faz todo o sentido", afirma ela.

Julie Gonzalo (de Sexta-Feira Muito Louca, 2003), por sua vez, é Rebecca, a noiva de Christopher. Tanto a atriz de 30 anos, quanto a personagem, recém-integrada à família, ainda tateiam o terreno de Dallas. Ela recorreu ao YouTube para se pôr a par de algumas das desavenças da trama. "Há fatos que marcam o que esses personagens, hoje homens feitos, sentem e vivem. A cada cena eu pensava: Bom, não é à toa que são todos tão complexados!" A atriz, que não deu muita bola quando recebeu o roteiro, levou um puxão de orelha do agente. "Ele me disse: 'Isso é Dallas, menina, vá ler e prepare-se.' Ele estava certo."

COM DIÁLOGOS E CÂMERA MAIS ÁGEIS, ATRAÇÃO ESTREIA AMANHÃ

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