A nova fotografia

Exposição traça panorama da produção brasileira realizada nos anos 2000

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

A geração que vem realizando fotografia contemporânea no Brasil é a que retoma a experimentação, unida a uma grande subjetividade. Essa definição do crítico, curador e professor Eder Chiodetto torna-se uma das questões centrais da mostra Geração 00 - A Nova Fotografia Brasileira, que será inaugurada amanhã no Sesc Belenzinho.

Curador da exposição, Chiodetto selecionou cerca de 170 obras de 52 fotógrafos ou artistas que utilizam o gênero em criações desenvolvidas nos anos 2000 para apresentar uma espécie de panorama da fotografia recente "infectada" pelas novas tecnologias - seja na produção ou no pensar a foto.

A produção nesse segmento, no Brasil, vem cada vez mais ganhando espaço - pode-se ver, nesse sentido, uma criação crescente de cursos de graduação voltados para o gênero e de festivais. Até o mercado vai se abrindo para a área. Mas, como diz o curador, o cenário brasileiro está "longe do ideal". Pelo menos, continua, "saímos do zero absoluto". Nesse sentido, ele conta uma estimativa identificada: dos 52 participantes, 45% têm galeria que os represente.

Documental imaginário. A exposição tem em seu título a menção a uma "Geração 00", mas alguns criadores presentes na mostra já são consagrados e começaram suas carreiras antes do período, como Cris Bierrenbach, Odires Mlászho, Caio Reisewitz, Rafael Assef. A veterana Claudia Andujar é a homenageada maior da exibição, representada por uma grande reprodução (de 12 m x 8 m) de uma imagem sua de 1976 da floresta amazônica realizada como parte de sua pesquisa tão própria sobre os índios ianomâmis. A Nova Fotografia Brasileira até mesmo reúne uma maioria de fotógrafos e artistas, ainda que, grande parte deles jovens, já com destaque no cenário, mas apresentando um número ainda pequeno de revelações de criadores. De novos nomes presentes, pode-se citar Breno Rotatori, Marie Ange Bordas, Jéssica Mangaba e até o Fotorrepórter do Estadão, "paradigmático", diz o curador, de algo de vanguarda no fotojornalismo (sete capas do jornal são exibidas em um televisor de LCD).

Entre os participantes da mostra, Chiodetto coloca como destaques da Geração 00 o mineiro João Castilho - representado por obras de sua "narrativa fantástica" da série Redemunho, inspirada em Guimarães Rosa -; o manauara Rodrigo Braga, que vive no Recife - ele exibe 17 fotos de Desejo Eremita, que une foto e performance; o alagoano Jonathas de Andrade - o artista apresenta a fotoinstalação Amor e Felicidade no Casamento, misto de teatro; e o coletivo Cia de Foto, que apresenta o ensaio Guerra.

A exposição, acompanhada de uma programação paralela de atividades na instituição, está dividida nos módulos Limites e Metalinguagem e Documental Imaginário/Novo Fotojornalismo, tendo, esse último, uma voz maior. "São obras de poder da narrativa, de beleza estética e simbólica, trabalhos que colocam um enigma sedutor", diz o curador.

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