A nova cara do jazz

Sun Rooms, trio do vibrafonista Jason Adasiewicz, finalmente faz sua estreia no festival Jazz na Fábrica

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2013 | 02h15

O grupo de jazz Sun Rooms chegou a ser anunciado no ano passado para um show no Sesc Pompeia que foi cancelado por problemas de saúde de um integrante. Assim, levou mais um ano para que o paulistano pudesse finalmente ser apresentado a uma das formações mais modernas do jazz atual. O trio toca na terceira edição do festival Jazz na Fábrica, no Sesc Pompeia, evento que terá ainda as estrelíssimas Cassandra Wilson e McCoy Tyner.

Formado em Chicago em 2008, o Sun Rooms é liderado pelo vibrafonista Jason Adasiewicz, de 35 anos (e seus parceiros Mike Reed, bateria, e Nate McBride, baixo). Mas McBride, segundo Adasiewicz, passou por um "divórcio terrível" recentemente e foi substituído pelo norueguês Ingebrigt Haker-Flaten, da banda The Thing.

Adasiewicz esteve no País pela última vez integrando a banda do saxofonista Yusef Lateef, em 2011. Adasiewicz causou: parecia em transe tocando e ensandeceu a plateia. Usava arcos de violino, baquetas, fazia o diabo no palco, estimulado pelo free jazz do libertário Lateef.

Nativo de Crystal Lake, Illinois, o vibrafonista tem maravilhado o mundo do jazz de Chicago com sua performance incontrolável, não raro agressiva, e renova a cena com conjuntos incomuns, como o noneto Living By Lanterns e o grupo Rolldowns (com Josh Berman, Aram Shelton e Jason Roebke). Mas seu trabalho mais recente é com um duo, ao lado do saxofonista alemão de vanguarda Peter Brotzmann, com quem gravou Going all Fancy (2012).

O Sun Rooms só tem dois discos: Sun Rooms (2010) e Spacer (2011), que, segundo informa o Sesc, a crítica especializada incluiu nas listas dos dez melhores discos de jazz de 2010 pelo New York Times, dos 50 melhores discos de jazz de 2010 pelo The Village Voice, e os dez melhores discos de jazz de 2010 e 2011 pelo Chicago Tribune.

Adasiewicz, que vai passar uns dias em Paraty com a família antes do show, é talvez o músico mais proeminente do seu instrumento desde que Stefon Harris surgiu. Entre os dois lendários vibrafonistas, Lionel Hampton e Milt Jackson, ele fica no meio do caminho: é lírico como Milt Jackson, com abordagem quase "vocal"; e é um cultor do ritmo e da intensidade, como Hampton.

Seu trio Sun Rooms possui inúmeras colaborações que incluem nomes como Roscoe Mitchell, Fred Anderson, Rob Mazurek, Nicole Mitchell, entre outros. Seu último disco, Spacer, foi testado num dos bunkers do jazz de Chicago, o bar The Whistler.

"Tocar ao vivo ou gravar música são minhas duas grandes chances de influenciar o ouvinte, e há a chance de que o ouvinte queira ser transformado. A plateia pode criar algum transe também. Acontece comigo todo o tempo que estou no palco, e deve ser porque todo músico com quem toco tem essa busca temerária de um transe. Minha linguagem corporal pode ser muito agressiva, e eu sinto que posso causar algum tipo de 'viagem'. Eu mesmo ainda sinto o transe da batida."

Adasiewicz conta que suas influências não são muito remotas, já que cresceu nos anos 80. "Fui apresentado ao jazz no colégio, quando tinha 14 anos, e toquei na banda da escola de jazz sem um baixista. Comecei tocando bateria quando criança, e ainda penso que toco bateria, só que minha batera é fatiada e feita de metal, e também menorzinha. Amo o sentimento do swing, mas também adoro arranhar as fronteiras sônicas do instrumento. O rock sempre vai ser uma influência para mim."

Ele confessa que "espanca" um pouco seu instrumento e diz que não faz a clássica escolha entre improvisação e composição. "Em casa, sou obcecado com composição; no palco, com improvisação. Não pratico muito a improvisação, mas ouço um bocado de improvisação ao vivo."

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