A noite que insiste em nunca mais terminar

Gilberto Gil está aí, todo senhor de si, mas não foi bem assim não. Durante aquele 1967, Festival da Record regado a vaias, aplausos, um violão quebrado no palco e arremessado por seu furioso dono Sérgio Ricardo à plateia, Gil tremia por medo da execração. Nem estar lá com seu Domingo no Parque ele queria. Mas há algo que hoje incomoda mais o cantor: a forma como foi arquitetado o movimento Tropicália. Para estar nele, era preciso usar roupa colorida, romper com a tradição, juntar Jefferson Airplaine a Jackson do Pandeiro. A ideia era ótima e mudaria tudo na música brasileira, mas e o povo que não fazia nada disso? As angústias de Gil são apenas um dos pontos fortes de Uma Noite em 67, esse documentário que volta a vender muito bem.

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

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