A noite arrepiante da ''cover''

O sol ainda estava alto às 18 horas de sábado, quando o casal Miranda Kassin e André Frateschi abriram no Anhembi a última noite do Summer Soul Festival, que circulou por Floripa, Rio e Recife antes. O público ainda pequeno (pouco mais de mil pessoas) já era grande para eles, que atuam no underground paulistano, e ficou maior no fim (5 mil). "Tá lindo daqui, meu Deus do céu. Tô arrepiada", empolgava-se Miranda. "Acho que Amy vai desmaiar. Vocês também."

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

O entusiasmo de Miranda não ficou só aí. Acompanhados de uma superbanda, ela e André fizeram um belo show, com muita garra, vocais potentes e um repertório de clássicos de soul, rock, blues e rhythm"n"blues, que incluía Hit the Road Jack, Light My Fire, Heatwave, Land of 1000 Dances e I Just Wanna Make Love to You. Até Toxic, hit de Britney Spears, entrou no pacote em versão soul, em que o casal se corteja e se lambe na boca.

Miranda, que ficou conhecida na noite paulistana fazendo show cover de Amy Winehouse, acabou suando mais a camisa que seu ídolo e estava infinitamente mais elétrica. De seu álbum Hits do Underground, que André arremessou de punhado para a plateia, a dupla inclui apenas Artista É o Caralho, de Rubinho Jacobina, da Orquestra Imperial.

Instituto funk. Outra integrante da Orquestra, Thalma de Freitas, abriu com todo o gás o show do coletivo Instituto que veio em seguida, com muito funk dançante. Mais uma big band com pegada forte e metais calorosos em destaque, tão boa quanto a de Miranda e André, só que, como a desanimada Amy, foi mais um show repleto de vocais equivocados.

Todos os que pegaram o microfone, invariavelmente, gritavam a palavra "soul" com um deslumbre pueril, como crianças carentes jogadas subitamente numa fantástica fábrica de chocolates. Depois de Thalma e Duani (com seu visual Tim Maia) vieram Carlos Dafé e Céu (em equivocado figurino de noiva cadáver). Essa gente acha que cantar soul é gemer, gritar e dizer "beibeeee", à moda de Cassiano. Os rappers Kamal e Emicida se deram melhor, injetando doses de hip-hop no roteiro e todos terminaram juntos em Umbabaraúma, de Jorge Ben.

Primeira atração internacional da noite, Mayer Hawthorne repetiu o bom show de Floripa, com canções de seu único álbum Strange Arrangement (2009), abrindo com a dançante Your Easin" Lovin" Ain"t Pleasin" Nothin". O talentoso e múltiplo artista acabou não empolgando os que não o conheciam, mas teve tempo suficiente para provar que tem sim cacife de soul man. A propósito, ele nasceu em Detroit, sede da lendária gravadora Motown, fonte de sua sonoridade vintage.

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