A música e a arte de Cuba em mostra inédita

A exposição Arte de Cuba, que inaugura hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, conta com quase 120 obras, realizadas por 61 artistas desde o início do século 20 mostrando os simbolismos em torno da ilha.Ania Rodríguez é a curadora da mostra. Jovem historiadora da arte, a cubana de 28 anos vive atualmente no Rio. Ao lado do idealizador do projeto, Rodolfo de Athayde. Arte de Cuba, feita em parceria com a Associação Cultural Guantanamera e o Museu Nacional de Bellas Artes de Cuba, foi preparada durante dois anos e depois segue para o Rio e Brasília. Nela predominam pinturas. "É uma questão operacional já que o acervo do Museu de Bellas Artes é forte em pintura", diz a curadora, que lamenta a ausência de obras de outros meios. A exposição tem percurso cronológico, começando no terceiro piso do prédio. As obras marcam o início do movimento moderno nos anos 1920, a procura de uma identidade a partir da rejeição do acadêmico. "Eram os novos modos de falar do cubano com as linguagens de vanguarda", explica Ania. Já na entrada o destaque é o quadro Dos Mujeres y Paisaje, de Victor Manuel García - são mulheres mestiças, de traços indígenas. Na obra de Fidelio Ponce de León está a crítica social assim como Marcelo Pogolotti, na década de 1930, era um dos artistas mais engajados do período, retratando operários e camponeses - seu trabalho se relaciona com o muralismo mexicano, com observa Athayde. No segundo andar estão obras dos anos 1940 à década de 70, do período político efervescente. A sala se abre com conjunto de obras de Wilfredo Lam, "o mais importante pintor cubano", que participou em Paris do movimento surrealista e transcendeu em seu trabalho a questão da raiz negra/africana em Cuba. Há abstração geométrica e informal (esta, já feita na década de 50, inspirada no expressionismo-abstrato americano - a proximidade territorial entre Cuba e os EUA); a questão política e nas obras de linguagem pop estão, de forma agressiva, os heróis cubanos e não a Marilyn Monroe. A vertente contemporânea, a partir dos anos 1980 até hoje (com obras de Los Carpinteros e Carlos Garaicoa, por exemplo), ocupa o subsolo, o foyer e o primeiro piso. MúsicaAlém da mostra, o CCBB vai reunir em três terças-feiras de fevereiro várias gerações de craques no projeto Música de Cuba. "Os shows são um complemento fundamental do evento, porque apresentam a arte de Cuba desde a manifestação cultural mais conhecida e celebrada da ilha", diz Rodolfo Athayde, coordenador-geral do projeto. Embora tenham reconhecimento internacional, a maior partes desses músicos nunca se apresentou no Brasil. O show de abertura será no dia 7 com o Cuba Jazz Plus, um grupo de cinco músicos da mesma geração que tocam clássicos do jazz e da música instrumental cubana. No dia 14 é a vez do veterano pianista Gillermo Rubalcaba, que já fez participações nos shows do Buena Vista como pianista convidado. Encerrando o evento, no dia 21, os Jóvenes Clásicos del Son, que representam a continuidade disso tudo, forjando estilo próprio a partir do conceito tradicional. Cada um representa uma faceta dentro do mesmo universo musical: aquela que se expandiu pelo mundo, a que preserva a tradição e a que renova a linguagem sem perder a identidade original. Arte de Cuba. Centro Cultural Banco do Brasil. R. Álvares Penteado, 112, centro, 3113-3651, metrô Sé. 10h/21h (fecha 2.ª). Grátis. Até 23/4. Abertura hoje, às 20 horasMúsica de Cuba. Centro Cultural Banco do Brasil. 3.ªs(a partir de 7/2), 13h e 19h30. R$ 6. Até 21/2

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