A mítica Evita Péron, em imagens

Depois da literatura e do cinema,chega o momento de conhecer o mito de Evita por meio da pintura.Misto de estrela e líder argentina, ela é homenageada com umaexposição itinerante que será inaugurada na noite desta terça-feira na Galeria Marta Traba, do Memorial da América Latina, em São Paulo. Ahistória trágica e fascinante dessa radialista e atriz que secasou com Juan Domingo Perón e se transformou na grandedefensora dos direitos das mulheres, idosos e dos trabalhadoresargentinos sempre fascinou o grande público. Ainda mais depoisque sua dramática biografia foi incrementada pela sórdidaperseguição dos militares contra ela, chegando inclusive afurtar seu corpo para que ela não pudesse ser venerada pelo povoque a via como sua protetora. Mas mesmo assim, a reunião em um mesmo local de 75fotografias, pinturas e objetos pessoais da mítica dama - entreeles vários modelos de alta-costura usados por ela - aindaimpressiona, ao evidenciar como, passadas cinco décadas de suamorte, ela continua sendo tratada com profunda reverência. A qualidade das obras, aliás, é bastante desigual. Hápesquisas interessantes como as releituras feitas por DanielSantoro das conturbadas décadas de 40 e 50, na qual Evita éretratada como provedora e heroína, que protege aos fracos ecastiga os maus, com toques de cartoon e referências evidentes àestética fascista. Também não deixa de ser curiosa a forma comoAurelio García a retratou em Nuestra Señora de los Descamisados,transformando-a numa santa. Como define o curador da exposição,Alberto Petrina, ele recorre aqui "à esplêndida maneiraneo-barroca de raiz hispano-americana (...) e ainda queutilizando o filtro da ironia ilustra a canonização popular aque foi submetida, ainda mais porque não decorre de um processoregular, mas do amor fiel e incondicional de seus fiéis". Mas há também obras de um certo mau gosto, sem grandevalor estético ou pesquisa aprofundada, como as telas neokitschde Gabriel Miremont, La Dama de la Esperanza ou ... Y Llevaránmi Nombre como Bandera... ou várias apropriações do universo dapintura pop para tratar daquela que continua sendo a maispopular das argentinas. Afinal, como lembra Petrina em seu texto quando ela assumiu como primeira-dama tinha apenas 27 anos; aorepresentar seu país em seu giro pela Europa, logo após otérmino da 2.ª Guerra Mundial, tinha 28 anos e morreu, após um longosofrimento, com apenas 33 anos (coincidentemente, a idade deJesus ao ser crucificado). História intensa que pode serparcialmente revisitada na exposição do Memorial. Talvez por isso o grande destaque da exposição sejamesmo a seleção de fotografias de Evita, nas quais podemos verseu belo sorriso durante as audiências de ajuda social ou obelíssimo retrato feito em 1944 por Annemarie Heirich, na qualela aparece mais bela que as estrelas de Hollywood e que nos fazcompreender o comentário de Christian Dior, que ao serinterrogado sobre quantas rainhas vestiu em sua vida respondeu:"Apenas uma. Se chamou Eva Perón."Serviço - Eva Perón - "Imagens de uma Paixão". De terça-feira adomingo, das 9 às 18 horas. Memorial da América Latina - GaleriaMarta Traba. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, SãoPaulo, tel. 3823-4600. Até 1.º/12. Abertura amanhã, às 20 horas

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