A mestra e seus aprendizes no artesanato da imagem

Hoje, além do trabalho no laboratório, Rosangela ministra aulas em duas turmas no Sesc Pompeia, às terças e aos sábados. São 11 alunos em cada uma e há uma fila de espera para os próximos semestres.

O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2013 | 02h08

Na turma de sábado, jovens - e nem tão jovens - viram todos crianças quando se deparam com suas fotografias brotando como mágica das bacias com reveladores. "Fiquei emocionada quando revelei meu primeiro filme. Esperei 40 anos. Consegui isso agora", conta Marta Spiry, de 65 anos, química e fotógrafa amadora.

Há um estrangeiro na turma. Simon Fique, 22 anos, é arquiteto colombiano e veio passar alguns meses no País. Trouxe na bagagem os negativos feitos na terra natal. "Não sabia se teria a oportunidade de ampliá-los. Quando soube do curso, corri para cá. Nunca havia visto um laboratório com toda essa estrutura", diz entusiasmado. "Não consigo ter uma relação sentimental com minhas fotos no computador", completa, acrescentado que "o pixel nunca vai conseguir alcançar a expressão gráfica do grão."

Clara Caramez, de 21 anos, acredita que "há momentos digitais e momentos analógicos. Quando fotografo com cores, prefiro usar a digital". A moça, agora, desenvolve dois projetos, um de retratos em PB e outro de fotos coloridas, de pés de pedestres paulistanos. Enquanto isso, Marcelo Puche, 41 anos, bota o avental para ampliar os fotogramas da série Olhos d'Água, sobre nascentes e cachoeiras da Serra da Cantareira. Ele resume o fascínio da turma pelo laboratório: "É igual a magia. Essa é a diferença", diz o empresário referindo-se ao momento que a fotografia aparece no revelador. Todas as fotos em preto e branco dessa página foram feitas com filme - reveladas e ampliadas por Rosangela Andrade. / T.Q.

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